A Festa da Apresentação de Nossa Senhora
- escritorhoa
- 21 de nov. de 2023
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Atualizado: há 6 dias
INTRODUÇÃO
Entre as festas marianas celebradas pela Igreja ao longo do ano litúrgico, a Apresentação de Maria no Templo, comemorada em 21 de novembro, ocupa um lugar especial. Embora não esteja narrada diretamente nos Evangelhos canônicos, essa celebração foi acolhida pela Tradição da Igreja como expressão autêntica da fé no mistério da Virgem Maria e de sua entrega total a Deus.
Desde os primeiros séculos, os cristãos sentiram a necessidade de contemplar não apenas o momento da Anunciação, mas também o caminho interior que preparou Maria para dizer seu “sim” ao plano divino. A festa da Apresentação responde a esse desejo espiritual: ela convida os fiéis a olhar para a infância da Virgem como tempo de preparação, de crescimento na graça e de consagração silenciosa ao Senhor.
A Igreja sempre foi cuidadosa em distinguir a Sagrada Escritura dos escritos apócrifos. No entanto, também reconheceu que, em certos relatos antigos, a fé do povo cristão encontrou uma linguagem simbólica para expressar verdades profundas. Assim, ao celebrar a Apresentação de Maria no Templo, a Igreja não afirma um dado histórico no sentido estrito, mas proclama uma verdade teológica: Maria pertence inteiramente a Deus desde o início de sua vida, em vista da missão única que lhe foi confiada.
Este artigo tem como objetivo ajudar o leitor a compreender melhor o sentido dessa festa, explorando sua origem, a narrativa que a inspirou e, sobretudo, o seu significado espiritual. Ao contemplar Maria apresentada no Templo, somos convidados a renovar nossa própria entrega a Deus e a reconhecer que também nós somos chamados a ser morada viva do Senhor.

2. O MISTÉRIO DA APRESENTAÇÃO DE MARIA
2.1 A Origem Litúrgica da Festa
A festa da Apresentação de Maria no Templo é uma das mais belas celebrações marianas da Igreja, ainda que não esteja narrada diretamente nos Evangelhos canônicos. Ela nasceu da fé viva do povo cristão e foi acolhida, ao longo dos séculos, pela liturgia como expressão verdadeira do mistério da Virgem Maria e de sua total consagração a Deus.
Essa celebração teve origem no Oriente cristão, especialmente em Jerusalém. Desde os primeiros séculos, os cristãos tinham grande veneração pelos lugares ligados à infância de Maria e à história da salvação. Por volta do século VI, começou a ser celebrada uma festa que recordava a entrega da menina Maria ao serviço de Deus no Templo. Com o tempo, essa comemoração se espalhou e se enriqueceu, tornando-se uma das grandes festas do calendário bizantino, conhecida como “Entrada da Santíssima Mãe de Deus no Templo”.
No Oriente, desde o início, a Igreja compreendeu que essa festa não se limitava a lembrar um fato do passado. Ela passou a ser celebrada como um verdadeiro mistério de fé: Maria entra no templo de Jerusalém como aquela que, um dia, se tornará o verdadeiro Templo vivo de Deus, pois em seu seio o Filho eterno do Pai assumirá a nossa carne. Por isso, a liturgia oriental canta esse dia como o início visível do plano da salvação.
No Ocidente, a festa demorou mais a ser aceita. Houve prudência e até resistência, pois a Igreja sempre foi cuidadosa em distinguir o que pertence à Sagrada Escritura do que vem da tradição piedosa. No entanto, com o passar do tempo, a Igreja latina reconheceu que, embora a narrativa não seja bíblica no sentido estrito, o que se celebra é uma verdade profundamente conforme à fé: Maria pertence inteiramente a Deus desde o começo de sua vida. Assim, a festa foi finalmente incorporada ao calendário romano e hoje é celebrada em toda a Igreja.
A origem da festa nos ensina algo muito importante: a Igreja não vive apenas de textos escritos, mas também da Tradição viva, que transmite, celebra e guarda as verdades da fé por meio da liturgia.
2.2 A Tradição Narrativa da Apresentação
A história da Apresentação de Maria no Templo é conhecida principalmente graças a um antigo escrito cristão chamado Protoevangelho de Tiago, redigido por volta do século II. Esse texto não faz parte da Bíblia, mas foi muito lido e estimado pelos primeiros cristãos, pois ajudava a compreender melhor a santidade de Maria e o mistério da Encarnação.
Segundo essa narrativa, Joaquim e Ana, pais de Maria, haviam prometido a Deus consagrar o filho que lhes fosse concedido. Quando Maria completa três anos, eles decidem cumprir essa promessa. A menina é conduzida ao Templo de Jerusalém em uma procissão solene, acompanhada por jovens virgens com lâmpadas acesas, sinal de alegria, pureza e dedicação ao Senhor.
Ao chegar ao Templo, Maria é recebida pelo sacerdote, que a abençoa e reconhece nela uma obra especial de Deus. O texto afirma que a criança sobe com segurança os degraus do altar e não demonstra medo nem desejo de voltar para casa. Essa imagem quer ensinar que Maria, desde cedo, pertence a Deus de maneira livre e confiante.
O relato continua dizendo que Maria permanece no Templo, vivendo em oração e recolhimento, e que recebe alimento “das mãos de um anjo”. Essa linguagem não deve ser entendida de forma literal, mas como uma maneira simples e bonita de expressar uma verdade espiritual: a vida de Maria era sustentada pela graça de Deus, e sua alma se alimentava da presença divina.
É importante compreender que essa narrativa não pretende ser um relato histórico detalhado, como os Evangelhos. Trata-se de uma história catequética, cheia de símbolos, que quer ensinar algo essencial à fé cristã: Maria foi preparada por Deus desde a infância para a missão única de ser a Mãe do Salvador.
A Igreja, com sabedoria, não tomou essa história como Palavra inspirada, mas também não a rejeitou. Ela reconheceu que, por meio dessa narrativa simples, a fé do povo cristão expressou uma verdade profunda: Maria foi consagrada a Deus de modo total, antecipando, em sua vida, aquilo que Deus deseja realizar em toda a Igreja.
2.3 O Sentido Simbólico do Templo
A narrativa da Apresentação de Maria no Templo é rica em símbolos bíblicos que ajudam a Igreja a contemplar, com os olhos da fé, o mistério da Virgem Maria. Esses símbolos não são detalhes decorativos, mas verdadeiros instrumentos de catequese, capazes de transmitir verdades profundas de maneira simples e acessível.
O primeiro e mais importante símbolo é o próprio Templo. Para o povo de Israel, o Templo de Jerusalém era o lugar da presença de Deus, o espaço sagrado onde o Senhor habitava no meio do seu povo. Ao apresentar Maria no Templo, a Tradição cristã ensina que ela foi inteiramente entregue a Deus desde cedo. Mais ainda: essa entrada anuncia algo maior. Maria não apenas entra no templo; ela mesma será, no futuro, o verdadeiro Templo vivo de Deus, pois em seu seio o Verbo eterno se fará carne.
Outro símbolo importante é a procissão das virgens com lâmpadas acesas. A lâmpada, na Sagrada Escritura, é sinal de vigilância, pureza e espera confiante. Essa imagem mostra Maria cercada por um ambiente de luz e consagração, indicando que sua vida estaria sempre voltada para Deus. Ao mesmo tempo, essa cena recorda à Igreja que todo cristão é chamado a manter a lâmpada da fé acesa, aguardando o Senhor com um coração puro.
A subida pelos degraus do Templo também possui grande força simbólica. Subir é sinal de elevação, de passagem do comum para o sagrado. O relato insiste no fato de que Maria sobe com segurança e sem medo, o que expressa sua entrega confiante e total. Desde a infância, ela se coloca nas mãos de Deus, sem reservas, sem hesitação.
Por fim, a imagem de Maria que permanece no Templo, nutrida espiritualmente pela graça divina, ensina que a consagração não é apenas um gesto exterior, mas um modo de vida. Assim, a leitura simbólica da Apresentação ajuda os fiéis a compreender que Maria viveu desde cedo aquilo que Deus deseja realizar em todos nós: fazer do nosso coração uma morada santa para Ele.
2.4 A Consagração Total de Maria
No centro da festa da Apresentação de Maria no Templo está a realidade da consagração virginal da Virgem. Para compreendê-la corretamente, é importante lembrar que, na fé da Igreja, a virgindade de Maria não se reduz a um aspecto físico. Ela expressa uma entrega total da pessoa — corpo, alma, vontade e coração — a Deus.
A consagração de Maria é, antes de tudo, interior. Desde a infância, ela vive orientada para o Senhor, em atitude de escuta, obediência e amor. A narrativa da Apresentação quer ensinar que essa entrega não foi improvisada no momento da Anunciação, mas preparada ao longo de toda a sua vida. O “sim” de Maria ao anjo é o fruto amadurecido de uma existência inteiramente oferecida a Deus.
A virgindade de Maria, portanto, é sinal de uma liberdade plena. Ela não pertence a Deus por obrigação, mas por amor. Sua consagração não a afasta do mundo nem da humanidade, mas a torna totalmente disponível para acolher a missão única que lhe será confiada: ser a Mãe do Salvador. Nesse sentido, a virgindade de Maria está diretamente ligada à Encarnação. Porque ela é inteiramente de Deus, pode tornar-se inteiramente disponível para que Deus venha ao encontro dos homens.
Essa realidade tem grande valor espiritual para a Igreja. Maria consagrada no Templo é figura da Igreja inteira, chamada a ser santa e irrepreensível diante de Deus. Ela também é modelo para todos os fiéis, especialmente para aqueles que vivem uma consagração específica — sacerdotes, religiosos e consagrados —, mas também para os leigos, que são chamados a viver no mundo com um coração indiviso.
A festa da Apresentação recorda, assim, que toda vida cristã é uma resposta à iniciativa de Deus. Em Maria, vemos que a consagração não empobrece, mas plenifica; não limita, mas liberta; não afasta da missão, mas prepara para acolhê-la com fidelidade e amor.
2.5 A Leitura dos Padres da Igreja
A fé da Igreja na consagração total de Maria não nasce apenas da narrativa apócrifa da Apresentação, mas encontra sólido apoio na reflexão dos Padres da Igreja, tanto do Oriente quanto do Ocidente. Embora eles nem sempre comentem diretamente o episódio da apresentação no Templo, falam com clareza sobre a santidade singular da Virgem e sobre sua entrega total a Deus desde o início de sua vida.
Os Padres insistem, antes de tudo, que a grandeza de Maria não está apenas em sua maternidade divina, mas na sua fé e na sua resposta livre à graça. Para eles, Maria é a criatura que pertence inteiramente a Deus, não apenas em um momento isolado, mas em toda a sua existência. A tradição da Apresentação ajuda a expressar, de forma concreta e visível, essa verdade espiritual.
Muitos Padres destacam que a virgindade de Maria é mais profunda do que um simples estado corporal. Ela é, sobretudo, virgindade do coração, da mente e da vontade. Maria vive com o coração indiviso, sem se apegar a nada que não seja Deus. É nesse sentido que a Tradição compreende sua consagração desde a infância: Maria cresce sob o olhar de Deus, educada na oração, na escuta e na obediência.
Os Padres orientais, com sua linguagem rica em imagens, gostam de chamar Maria de Templo vivo, Arca da Aliança e Morada do Altíssimo. Essas expressões mostram que a Apresentação no Templo não é apenas um gesto externo, mas um sinal do que Maria já é interiormente. Ela não entra no Templo apenas para ali permanecer; ela é preparada para se tornar o lugar onde o próprio Deus habitará.
Assim, à luz da patrística, a Apresentação de Maria no Templo é compreendida como uma antecipação do mistério maior da Encarnação. A Igreja reconhece, na fé dos Padres, que Maria foi conduzida por Deus desde o início, moldada pela graça e inteiramente orientada para a missão que lhe seria confiada.
2.6 Maria, Ícone da Igreja e do Cristão
A festa da Apresentação de Maria no Templo não se limita à contemplação da vida da Virgem; ela possui uma profunda dimensão eclesial e espiritual, que toca diretamente a vida de cada cristão. Ao celebrar Maria apresentada ao Senhor, a Igreja contempla também sua própria vocação e missão.
Maria é imagem da Igreja. Assim como ela é apresentada no Templo e consagrada a Deus, também a Igreja é chamada a ser santa, pura e inteiramente dedicada ao Senhor. A festa recorda que a Igreja não existe para si mesma, mas para ser morada de Deus no meio do mundo. Em Maria, a Igreja vê realizado aquilo que é chamada a viver continuamente.
No plano espiritual, a Apresentação de Maria convida cada fiel a refletir sobre sua própria entrega a Deus. A consagração não é reservada apenas aos religiosos ou consagrados; todo batizado é chamado a oferecer sua vida ao Senhor. A festa ensina que essa entrega começa no coração, na fidelidade cotidiana, na oração e na abertura à vontade de Deus.
Para aqueles que vivem uma consagração específica — sacerdotes, religiosos e religiosas —, Maria apresentada no Templo é modelo de fidelidade e perseverança. Para os leigos, ela é exemplo de como viver no mundo com um coração totalmente voltado para Deus, transformando a vida cotidiana em um verdadeiro culto espiritual.
Por fim, a festa da Apresentação recorda que Deus continua a entrar no “templo” de cada pessoa que se abre à sua graça. Ao contemplar Maria, o cristão aprende que oferecer-se a Deus não empobrece a vida, mas a torna plena, fecunda e verdadeiramente livre.
CONCLUSÃO
Ao longo deste percurso, a festa da Apresentação de Maria no Templo revelou-se como uma verdadeira escola de fé. Partindo de uma antiga tradição celebrada pela Igreja, fomos conduzidos a compreender que essa festa não depende de um relato histórico comprovável, mas se apoia firmemente na Tradição viva, na liturgia e na reflexão teológica da Igreja.
A narrativa da Apresentação, transmitida pelo antigo testemunho cristão, utiliza uma linguagem simples e simbólica para expressar uma verdade profunda: Maria foi preparada por Deus desde a infância para ser totalmente sua. Essa consagração não foi fruto de imposição, mas resposta amorosa à graça. Por isso, quando chega o momento decisivo da Anunciação, Maria já vive inteiramente voltada para o Senhor, pronta para acolher sua vontade.
A reflexão teológica e patrística mostrou que a Igreja sempre reconheceu em Maria o verdadeiro Templo vivo de Deus, a Arca da Nova Aliança, a morada santa onde o Verbo se fez carne. A Apresentação no Templo torna visível aquilo que já era realidade interior: uma vida inteiramente entregue, pura, livre e fecunda.
Para a Igreja de hoje, essa festa permanece atual e necessária. Ela recorda que todo batizado é chamado à consagração, isto é, a oferecer sua vida a Deus no cotidiano, com fidelidade e amor. Maria apresentada no Templo é modelo para todos: consagrados e leigos, jovens e adultos, todos aqueles que desejam viver com o coração indiviso.
Celebrar a Apresentação de Maria é, portanto, renovar o desejo de fazer do nosso próprio coração um templo santo, onde Deus possa habitar e agir para a salvação do mundo.
ORAÇÃO DE ENCERRAMENTO
Senhor Deus todo-poderoso, nós Vos louvamos e bendizemos pela obra admirável que realizastes na Virgem Maria. Desde sua infância, Vós a escolhestes e consagrastes para ser vossa morada santa, preparando nela um coração puro e obediente, pronto para acolher o vosso Filho. Concedei-nos contemplar, com fé agradecida, o mistério de sua entrega total ao vosso desígnio de amor.
Ó Maria Santíssima, apresentada no Templo e inteiramente oferecida ao Senhor, ensinai-nos a viver com o coração indiviso. Ajudai-nos a responder com generosidade à graça de Deus, a escutar sua vontade no silêncio da oração e a perseverar na fidelidade cotidiana, mesmo nas pequenas coisas.
Recebei, ó Mãe, a nossa vida como humilde oferenda. Intercedei por nós, para que também nós nos tornemos templos vivos do Espírito Santo, e conduzi-nos sempre a Jesus Cristo, vosso Filho e nosso Salvador. Amém.
REFERÊNCIAS
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