A segurança das ovelhas de Cristo
- escritorhoa
- 28 de abr.
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 28/04/2026 - Terça-feira
Evangelho: João 10,22-30
Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação. Era inverno. Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. Os judeus rodearam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente.” Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que faço em nome de meu Pai dão testemunho de mim. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais se perderão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um.”

Reflexão:
Neste Evangelho, Jesus é confrontado pelos judeus que exigem uma declaração clara sobre sua identidade. No sentido literal, vemos que Cristo já havia manifestado quem Ele é por meio de suas palavras e obras, mas a incredulidade impede o reconhecimento da verdade.
Santo Agostinho afirma: “Eles pediam palavras, mas recusavam os fatos” (Tratado sobre João, 48). A dificuldade não está na falta de revelação, mas na resistência do coração. Alegoricamente, Jesus retoma a imagem das ovelhas: somente aqueles que pertencem a Ele escutam sua voz e o seguem.
O Catecismo ensina que a fé é resposta do homem à revelação de Deus (CIC, 142) . Assim, não basta ouvir externamente; é necessário acolher interiormente. As ovelhas de Cristo são aquelas que, pela graça, reconhecem sua voz e permanecem fiéis.
Jesus declara: “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais se perderão”. Aqui se manifesta a segurança da salvação para aqueles que perseveram na fé. São João Crisóstomo explica que essa promessa não elimina a liberdade, mas garante a proteção divina àqueles que permanecem unidos a Cristo (Homilias sobre João, 60).
Moralmente, este texto nos convida a examinar se realmente escutamos a voz do Senhor. Seguir Cristo implica obedecer à sua Palavra e confiar em sua condução. São Gregório Magno ensina que ouvir a voz do Pastor é viver segundo seus mandamentos (Homilias sobre os Evangelhos, II, 14).
Além disso, Jesus afirma: “Ninguém as arrebatará da minha mão”. Essa expressão revela o cuidado constante de Deus. São Tomás de Aquino ensina que a providência divina governa todas as coisas e protege aqueles que caminham na graça (Suma Teológica, I, q.22, a.1).
A declaração final, “Eu e o Pai somos um”, revela a unidade essencial entre Cristo e o Pai, fundamento da fé cristã. Aqui está uma das mais claras afirmações da divindade de Cristo.
No sentido anagógico, a promessa da vida eterna aponta para a comunhão definitiva com Deus. As ovelhas fiéis serão conduzidas à segurança eterna, onde nada poderá separá-las do amor divino.
Este Evangelho nos chama à fé firme e perseverante. Escutar a voz de Cristo, segui-lo e confiar em sua proteção é o caminho seguro para a vida eterna.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho escutado verdadeiramente a voz de Cristo ou me deixo levar por outras vozes?
2. Minha fé é firme mesmo diante das dúvidas e dificuldades?
3. Confio na proteção de Deus ou vivo dominado pelo medo?
Mensagem Final:
Cristo conhece suas ovelhas e as conduz com amor seguro. Quem escuta sua voz e o segue encontra a vida eterna e jamais será abandonado. Confie no Senhor e permaneça fiel. Em suas mãos estamos protegidos. Nada pode nos separar de seu amor. Caminhemos com confiança, pois Ele nos guia rumo à eternidade junto de Deus para sempre.




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