A Verdade da Ressurreição e a Escolha do Coração
- escritorhoa
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Liturgia Diária:
Dia 06/04/2026 - Segunda-feira
Evangelho: Mateus 28,8-15
Naquele tempo, as mulheres partiram apressadamente do sepulcro, com temor e grande alegria, e correram para anunciar aos discípulos. De repente, Jesus veio ao encontro delas e disse: “Alegrai-vos!”. Elas se aproximaram, abraçaram seus pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: “Não tenhais medo! Ide anunciar aos meus irmãos que vão para a Galileia; lá me verão”. Enquanto elas iam, alguns guardas foram à cidade e contaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Reunidos com os anciãos, decidiram dar grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo: “Dizei que os discípulos vieram de noite e roubaram o corpo, enquanto dormíeis. E, se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e vos livraremos de problemas”. Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como foram instruídos. E esta versão se espalhou entre os judeus até hoje.

Reflexão:
Neste trecho do Evangelho, as mulheres deixam o sepulcro com temor e grande alegria, pois receberam o anúncio da ressurreição. O temor nasce do mistério divino; a alegria, da esperança cumprida. Santo Agostinho ensina: “Temer e amar a Deus são dois movimentos da alma” (Sermão 156). Aqui vemos ambos unidos.
As mulheres tornam-se primeiras mensageiras, figura da Igreja nascente, que anuncia Cristo ressuscitado. Alegoricamente, elas representam as almas fiéis que, após vencerem o medo, proclamam a verdade. São Gregório Magno afirma: “O amor torna corajosos os tímidos” (Homilia 25 sobre os Evangelhos).
Contudo, os guardas, dominados pelo temor vazio, preferem a mentira. Recebem dinheiro e difundem falsidade, cumprindo o que diz o Catecismo: o pecado obscurece a inteligência (cf. CIC 1791). Literalmente, vemos o contraste entre fé e incredulidade.
Moralmente, somos chamados a escolher: acolher a verdade de Deus ou ceder às conveniências. A mentira dos soldados recorda o perigo de vender a consciência. São Tomás de Aquino ensina que a verdade é conformidade com o real (Suma Teológica, I, q.16, a.1).
Anagogicamente, a ressurreição aponta para a vitória final de Cristo, onde toda mentira será desmascarada. Os guardas representam os que resistem à graça; as mulheres, os que acolhem a luz. Santo Ambrósio diz: “A luz de Cristo dissipa as trevas do erro” (Exposição do Evangelho de Lucas, X).
Assim, o cristão é chamado a testemunhar a ressurreição com vida coerente. Não basta saber; é preciso anunciar. O encontro com o Ressuscitado transforma o medo em missão. Como ensina São João Crisóstomo: “Aquele que viu Cristo não pode permanecer em silêncio” (Homilia sobre Mateus, 90).
Portanto, este Evangelho nos convida à fidelidade à verdade, à coragem no testemunho e à alegria pascal. Cristo vive, e sua vitória exige de nós uma resposta concreta de fé, esperança e caridade.
Vivendo esta verdade, participamos da vida nova que Ele oferece. A Igreja ensina que a ressurreição é fundamento da nossa fé (cf. CIC 638), pois sem ela tudo seria vão. Por isso, cada discípulo é enviado ao mundo como testemunha fiel.
Também somos advertidos contra a dureza do coração, que rejeita a verdade mesmo diante das evidências. A graça pede abertura, humildade e docilidade. Quem se fecha à luz permanece na escuridão.
Por fim, contemplemos o Cristo ressuscitado que nos precede. Ele nos chama a segui-Lo com confiança, certos de que a verdade sempre triunfa em Deus para toda a eternidade.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho escolhido a verdade de Cristo ou cedido às conveniências do mundo?
2. Minha vida testemunha com coragem a ressurreição de Jesus no cotidiano?
3. Busco viver na luz de Deus por meio da oração e da abertura à graça?
Mensagem Final:
Cristo ressuscitou verdadeiramente, e sua vitória ilumina nossa vida. Não vivamos na mentira, nem no medo, mas na coragem da fé. Anunciemos com alegria o Senhor vivo, sendo testemunhas fiéis. Quem acolhe a verdade caminha na luz e alcança a vida eterna prometida por Deus aos que perseveram até o fim com amor sincero e coração obediente à sua vontade.




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