Chamados da Miséria para a Misericórdia
- escritorhoa
- 17 de jan.
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 17/01/2026 – Sábado
Evangelho: Marcos 2,13-17
Naquele tempo, Jesus saiu novamente para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu. E aconteceu que Jesus estava à mesa na casa de Levi, e muitos cobradores de impostos e pecadores estavam sentados com Jesus e seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam. Os escribas dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, diziam a seus discípulos: “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu e lhes disse: “Os sadios não precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.

Reflexão:
O Evangelho narra o chamado de Levi, cobrador de impostos, homem socialmente desprezado. No sentido literal, Jesus dirige-lhe uma palavra simples e eficaz: “Segue-me”. Não há reprovação prévia nem condições impostas. A resposta é imediata: Levi levanta-se e segue. A misericórdia precede a conversão plena e a torna possível.
A refeição na casa de Levi escandaliza os fariseus. Comer juntos significa comunhão. Jesus se aproxima dos pecadores não para aprovar o pecado, mas para curar o pecador. São João Crisóstomo afirma que Cristo “não se contaminou ao comer com pecadores; antes, purificou-os com sua presença” (Homiliae in Matthaeum, XXX). A imagem do médico revela a missão salvífica do Filho: Ele vem onde há doença espiritual.
No sentido alegórico, Levi representa a humanidade presa às riquezas injustas e à escravidão do egoísmo. O levantar-se indica a passagem da vida antiga para a nova existência em Cristo. A mesa torna-se sinal do Reino, antecipando a Eucaristia, onde os indignos são convidados à comunhão mediante a graça. A Igreja reconhece que a salvação é dom oferecido aos que se sabem necessitados.
O sentido moral interpela diretamente o discípulo. A palavra de Jesus exige decisão: levantar-se e segui-lo. Santo Antão, cuja memória celebramos hoje, ouviu o Evangelho e tomou-o ao pé da letra, deixando tudo para buscar a Deus no deserto. Santo Atanásio relata que Antão “considerou a Palavra como dirigida pessoalmente a ele” (Vita Antonii, 2). A conversão verdadeira nasce da escuta obediente e da renúncia confiante. Também nós somos chamados a abandonar seguranças que nos prendem.
No sentido anagógico, a refeição com pecadores aponta para o banquete eterno, onde só entra quem aceita ser curado. Os “justos” que se julgam autossuficientes excluem-se a si mesmos. Jesus chama os pecadores para prepará-los à comunhão definitiva. A vida eremítica de Santo Antão antecipa essa busca radical do Reino, orientando tudo para Deus.
Este Evangelho ensina que a misericórdia é o início do caminho cristão. Cristo passa, chama e senta-se à mesa com os feridos. Quem acolhe seu chamado levanta-se, muda de vida e aprende que seguir Jesus é deixar-se curar para, um dia, participar plenamente do banquete do Reino.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Reconheço-me necessitado do Médico divino ou confio demais em mim mesmo?
2. Que “coletoria” preciso deixar para seguir Jesus com maior liberdade?
3. Escuto o Evangelho como palavra dirigida pessoalmente a mim?
Mensagem Final:
Jesus chama Levi e senta-se à mesa com pecadores, revelando que a misericórdia precede a conversão. Hoje, à luz de Santo Antão, somos convidados a levantar-nos, deixar o que nos prende e seguir Cristo sem reservas. Quem se reconhece doente encontra o Médico. Quem responde com fé descobre a alegria de uma vida nova, curada e inteiramente voltada para Deus.
Leitura Complementar
Para aprofundar na vida de Santo Antão, leia nosso artigo: Santo Antão: Modelo de Santidade e Inspiração Cristã




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