Credo (1): Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra
- escritorhoa
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INTRODUÇÃO
Há palavras que, quando ditas com verdade, mudam a vida. “Creio” é uma delas. No início do Credo, a Igreja coloca nos nossos lábios não uma frase vaga, mas uma profissão solene: eu me apoio na Palavra de Deus e entrego a Ele o coração e a inteligência. Em tempos em que tudo parece relativo — a verdade, o bem, o sentido da existência —, começar por Deus é recuperar o fundamento. Não é o homem o centro último, nem o mundo um acaso sem direção: existe um Senhor, vivo e verdadeiro, que se revelou e chama cada pessoa a uma aliança de amor.
Por isso, a primeira afirmação do Símbolo não é apenas “Deus existe”. Ela nos introduz num mistério de relação: Deus é Pai. Pai porque cria e sustenta; Pai porque governa com sabedoria; Pai porque quer filhos e não servos. E, para que não confundamos essa paternidade com fraqueza ou sentimentalismo, a fé acrescenta: todo-poderoso. Não um poder caprichoso, mas um poder santo, sábio e providente — capaz de conduzir a história e, ao mesmo tempo, inclinar-se sobre as dores de cada coração.
A seguir, professamos que este Pai é Criador do Céu e da Terra: de tudo o que é visível e invisível, do mundo material e do mundo espiritual. Nada está fora de suas mãos; nada existe por si mesmo. E, porque Ele não apenas cria, mas também governa, aprendemos a descansar na sua Providência, sem cair na passividade, e a caminhar com responsabilidade, sem cair no desespero.
Este artigo, portanto, não é uma teoria sobre Deus: é um convite a viver como filhos — com reverência, gratidão e confiança — no meio de um mundo que precisa reaprender a dizer, com simplicidade e firmeza: “Eu creio.”

DEUS PAI: ONIPOTÊNCIA, CRIAÇÃO E PROVIDÊNCIA
1) “Creio” — a fé como ato pessoal e eclesial
Quando o cristão começa o Símbolo com a palavra “Creio”, não está lançando uma opinião no ar, como quem diz “eu acho” ou “talvez seja assim”. Crer é aderir com firmeza àquilo que Deus revelou, porque Deus não pode enganar-se nem enganar-nos. A fé não nasce do capricho do coração, nem se apoia apenas em sentimentos passageiros; ela repousa na autoridade do próprio Deus, que fala e garante a verdade do que revela. Por isso, a fé cristã é, ao mesmo tempo, humilde e segura: humilde, porque acolhe um mistério maior do que nossa razão; segura, porque se apoia na fidelidade divina.
Esse “Creio” é pessoal, porque ninguém pode crer no meu lugar. Cada alma é chamada a responder a Deus com um assentimento real, livre, consciente: eu entrego minha inteligência e minha vontade à Palavra do Senhor. Contudo, esse mesmo “Creio” é também eclesial, porque ninguém chega à fé sozinho. A Igreja, como Mãe e Mestra, recebeu de Cristo o depósito da fé e o transmite através da pregação, da catequese, da liturgia e dos sacramentos. Em outras palavras: eu creio “com” a Igreja, e aprendo a crer “na”quilo que a Igreja crê, guarda e ensina. Não por servilismo, mas porque nela ressoa, com autoridade, a voz do próprio Cristo.
Daí surge uma consequência prática: a fé verdadeira pede coerência de vida. Se eu digo “Creio”, isso deve aparecer no meu modo de adorar, de viver e de decidir. A fé se traduz em culto (participação reverente na Missa, amor aos sacramentos, respeito ao santo nome de Deus), em moral (obediência aos mandamentos, combate ao pecado, busca da virtude) e em oração (confiança filial, perseverança, vida interior). O Credo, portanto, não é apenas um texto recitado: é um compromisso assumido diante de Deus e da Igreja.
2) “Em Deus” — unidade divina e mistério da Trindade
Dizer “Creio em Deus” é professar que existe um único Senhor, princípio e fim de todas as coisas, e que fora d’Ele nada é absoluto. A fé cristã rejeita a ideia de “deuses concorrentes”, como se houvesse forças divinas em disputa, cada qual governando uma parte do mundo ou do destino humano. Há um só Deus, perfeito, eterno, imutável: não cresce nem diminui, não se aperfeiçoa, não depende de nada. Ele é simples (não composto, não dividido), e por isso sua verdade e sua bondade não oscilam como as nossas. Em Deus não há mistura de luz e sombra: Ele é plenamente verdadeiro e plenamente bom. Crer em Deus, então, é abandonar toda idolatria — não apenas a dos falsos deuses antigos, mas também a dos ídolos modernos: dinheiro, poder, prazer, reputação, autonomia sem Deus.
Entretanto, a fé da Igreja vai além de um monoteísmo genérico. Ao confessar “em Deus”, o cristão crê no Deus que se revelou como Trindade: um só Deus em três Pessoas realmente distintas — Pai, Filho e Espírito Santo — sem confundir as Pessoas, nem dividir a natureza divina. Não são três deuses, porque a divindade é uma; e não é um Deus “com três nomes”, como se Pai, Filho e Espírito fossem apenas máscaras sucessivas, porque as Pessoas se distinguem por relações reais e eternas. Aqui a linguagem humana toca um mistério altíssimo, mas não um absurdo: a razão reconhece seus limites, e a fé recebe com adoração o que Deus revelou.
Essa confissão trinitária muda tudo na vida espiritual. Deus não é uma energia impessoal, um “universo” difuso ou uma força neutra: Deus é vivo e pessoal, e nos chama a uma aliança. Ele nos conhece, nos ama, nos fala, corrige, perdoa, conduz. Crer “em Deus” é entrar numa relação verdadeira com Aquele que é Senhor da história e Pai providente. Por isso, a fé não termina em ideias: ela se torna encontro. E esse encontro se expressa de modo concreto: na oração que se dirige a Deus como Tu, na confiança filial diante da sua providência, e no desejo de viver para sua glória, já aqui, na terra, enquanto caminhamos para o Céu.
3) “Pai” — paternidade por criação e por adoção
Chamar Deus de “Pai” é entrar no coração do mistério cristão. Antes de qualquer coisa, Deus é Pai porque é Criador: d’Ele procede tudo o que existe, e tudo permanece existindo porque Ele sustenta. Assim, o nome “Pai” recorda que o mundo não é fruto do acaso nem de uma necessidade cega; é obra de um Deus que quer, conhece e governa. Por isso, a criação não é apenas um “começo distante”, mas uma relação permanente: Deus continua sendo Senhor de todas as coisas, e nada escapa ao seu domínio providente. Reconhecê-lo como Pai é confessar que temos origem, sentido e destino n’Ele, e que a nossa vida não está entregue ao caos, mas à sabedoria de Quem nos fez.
No entanto, a fé cristã anuncia uma paternidade ainda mais alta: Deus é Pai não apenas porque nos criou, mas porque nos quis filhos por adoção, e isso pela graça. Aqui se abre a beleza do Evangelho: o homem, que por si mesmo não poderia ultrapassar a condição de criatura, é elevado a uma intimidade real com Deus. Pela obra de Cristo — o Filho único por natureza — recebemos a participação filial: somos filhos em Cristo, incorporados a Ele, e chamados a dizer com verdade: “Abba, Pai”. Essa adoção não é metáfora sentimental; é um dom sobrenatural que nos transforma interiormente, concede dignidade nova e nos faz herdeiros das promessas. Deus nos trata como filhos: educa, corrige, consola, perdoa, conduz.
As consequências são profundamente práticas. Primeiro, a dignidade do homem: cada pessoa humana vale mais do que qualquer bem material, porque foi criada por Deus e chamada à filiação. Daí nasce o respeito pelo corpo, pela vida, pela consciência, pela vocação de cada um. Segundo, a fraternidade: se Deus é Pai, os homens são irmãos. Isso não é um slogan, mas um princípio espiritual: não posso invocar Deus como Pai e desprezar o próximo, nem dividir o mundo em “meus” e “descartáveis”. Terceiro, a confiança filial: o cristão não reza como escravo amedrontado, mas como filho que se aproxima com reverência e amor. Na oração, sobretudo no Pai-Nosso, aprendemos a pedir tudo com simplicidade: o pão, o perdão, a proteção nas tentações, a força nas provações — certos de que o Pai sabe do que precisamos e dá o que é melhor, no tempo certo.
4) “Todo-poderoso” — o sentido espiritual da onipotência
Confessar que Deus é “todo-poderoso” não significa imaginar um poder caprichoso, como se Deus pudesse agir sem verdade, sem justiça ou sem sabedoria. A onipotência divina é santa, sábia e providente. Ela não é arbitrariedade: é o poder perfeito de Quem é perfeitíssimo. O mesmo Deus que pode tudo é o Deus que é verdade; portanto, não pode contradizer-se, nem fazer do mal um bem, nem mentir, nem agir contra sua própria santidade. A fé, então, entende corretamente: Deus pode tudo o que convém à sua perfeição e tudo o que não envolve contradição. O limite não está em Deus, mas na própria impossibilidade lógica ou moral do que seria negar o que Ele é.
Essa compreensão cura duas deformações comuns. A primeira é o medo: como se “todo-poderoso” fosse sinônimo de tirania. Ao contrário, a onipotência de Deus é consoladora, porque garante que nenhuma força criada é maior do que Ele, e que sua bondade não é impotente. A segunda deformação é a redução de Deus: como se Ele fosse apenas um “auxílio” para momentos difíceis, um recurso emocional. Se Deus é todo-poderoso, então nossa vida não depende, em última análise, das circunstâncias, nem do humor do mundo, nem das ameaças do pecado: existe um Senhor acima de tudo, capaz de conduzir a história e cada alma ao fim para o qual foi criada.
A onipotência divina se manifesta de modo especial naquilo que, aos olhos humanos, parece fraqueza: Deus vence o pecado pela graça, vence a morte pela ressurreição, vence a dureza do coração pela conversão. Por isso, “todo-poderoso” não é apenas um atributo abstrato; é o fundamento da esperança. Ele pode levantar o caído, curar o ferido, reordenar o que se perdeu, abrir caminhos onde não vemos saída. E o faz não como mágico, mas como Pai: educando-nos, purificando-nos, orientando-nos para a vida eterna.
A aplicação espiritual é direta. Primeiro, abandono confiante: não o abandono preguiçoso, mas a entrega de quem faz o que deve e confia o restante a Deus. Segundo, combate ao desespero: se Deus é todo-poderoso, nunca é tarde para recomeçar; nenhum pecado é “maior que a misericórdia” para quem se arrepende de verdade; nenhuma história está condenada ao fracasso quando Deus intervém com sua graça. Terceiro, serenidade na prova: a onipotência de Deus não elimina automaticamente a cruz, mas garante que nenhuma cruz é inútil e que tudo pode servir ao bem daqueles que O amam. Assim, o cristão atravessa as tempestades sem perder o rumo: com lágrimas, sim, mas sem rendição; com luta, sim, mas sem pânico — porque o Pai todo-poderoso permanece no trono e no coração dos seus.
5) “Criador do Céu e da Terra” — criação ex nihilo e ordem do universo
Ao professar que Deus é “Criador do Céu e da Terra”, a fé cristã afirma algo decisivo: tudo o que existe não existe por si, mas porque foi querido por Deus. Ele não moldou o mundo a partir de uma matéria eterna, como se houvesse algo “antes” dele que o limitasse; Deus cria do nada (ex nihilo). Isso significa que o ser, o tempo, as leis que regem a natureza, a história dos povos e a vida de cada pessoa estão, desde a raiz, dependentes de Deus. Se Ele é a fonte do ser, nada pode reivindicar autonomia absoluta diante dele. A criação, portanto, não é um detalhe periférico: é a base para compreendermos quem somos e para que existimos.
A expressão “céu e terra” não pretende apenas indicar dois lugares, mas abarcar a totalidade do criado. “Céu” designa, em sentido amplo, a ordem superior e invisível: Deus criou também o mundo espiritual, os anjos, seres pessoais, inteligentes, destinados a servi-lo e a participar de sua glória. “Terra”, por sua vez, aponta o mundo visível e material, com sua beleza, variedade e harmonia. Assim, o Credo nos livra de dois erros contrários: de um lado, o materialismo, que reduz tudo ao que se toca; de outro, um espiritualismo confuso, que despreza o corpo e a realidade concreta. O Deus cristão é Senhor de ambos: do invisível e do visível; do espírito e da matéria; do alto e do baixo.
E a fé acrescenta um ponto fundamental: a criação é boa, porque procede da bondade de Deus. O mundo não é divino, mas é dom; não é Deus, mas fala de Deus. Por isso, o cristão não adora a natureza como se fosse uma deusa — nem a explora como se fosse um objeto sem valor. Ele a recebe com gratidão, contempla nela sinais do Criador e a usa com responsabilidade. O mundo criado é como uma casa entregue ao homem para ser cultivada e ordenada: não é um templo de idolatria, nem um depósito para saque.
Daqui brotam aplicações muito concretas. Primeiro, gratidão: tudo o que temos — vida, capacidades, oportunidades — é presente, não mérito absoluto. Segundo, reverência: o corpo, a família, o trabalho, a criação ao nosso redor pedem respeito, porque pertencem a Deus e estão sob seu olhar. Terceiro, trabalho santificado: se Deus é Criador, o trabalho humano, quando honesto e ordenado, participa de modo humilde dessa obra, transformando o mundo sem romper com a vontade divina. Crer no Criador é aprender a viver como administrador fiel do que recebemos, e não como dono tirano do que não nos pertence.
6) Providência: Deus conserva, governa e conduz ao fim
A fé em Deus Criador não se limita ao passado, como se Ele tivesse feito o mundo e depois o abandonado. A criação não foi um gesto de “dar corda e ir embora”. Deus conserva tudo no ser: a cada instante, sustenta o que existe. Se Ele retirasse seu querer, nada permaneceria; o universo inteiro voltaria ao nada. Além disso, Deus governa: conduz as criaturas com sabedoria, ordenando os acontecimentos — inclusive as dores e contradições — para um fim maior, que é a sua glória e o bem verdadeiro daqueles que o amam.
Mas como conciliar essa providência com a liberdade humana, sem cair no fatalismo? A fé responde com equilíbrio: Deus é causa primeira e soberana, e nós agimos como causas reais no mundo. Ele não anula nossa vontade; ao contrário, move e fortalece a liberdade para que possamos escolher o bem. Quando o homem peca, a culpa é do homem; quando o homem faz o bem, é verdadeiramente ele quem age — e, ao mesmo tempo, é a graça de Deus que o sustenta e ilumina. Assim, não somos marionetes de um destino cego, nem donos absolutos da história. Somos cooperadores: responsáveis por nossas escolhas, e dependentes de Deus para alcançar o fim último.
A aplicação espiritual é preciosa. Ler a vida à luz da providência não é inventar explicações fáceis para tudo, mas aprender a reconhecer que Deus pode tirar bem até das provações. Isso gera confiança sem passividade: faço o que é meu dever — rezo, trabalho, luto, busco aconselhamento, tomo decisões prudentes — e entrego a Deus o que não controlo. Em vez de ansiedade, nasce a paz; em vez de revolta, perseverança; em vez de desespero, esperança. Crer na providência é caminhar com os pés no chão e o coração em Deus, certo de que nenhum instante está fora de suas mãos.
CONCLUSÃO
Ao contemplarmos este primeiro artigo do Credo, percebemos que ele é uma verdadeira “porta” para toda a vida cristã. Crer não é apenas aceitar ideias religiosas; é entrar numa relação real com Deus, deixando que a verdade revelada ilumine a mente e que a graça conduza a vontade. E o conteúdo dessa fé é, ao mesmo tempo, grandioso e consolador: há um só Deus, e esse Deus não é distante nem impessoal; Ele é Pai.
Pai que nos deu o ser, e, mais alto ainda, Pai que deseja fazer de nós filhos pela graça. Pai que não abandona a obra de suas mãos, mas sustenta e governa tudo com Providência. Por isso, a confissão “todo-poderoso” não nos leva ao medo; leva-nos à esperança: se Deus é por nós, nenhuma sombra tem a última palavra. Mesmo quando a cruz pesa e o futuro parece fechado, o cristão pode permanecer de pé, porque sabe que o Pai conduz a história — e também a sua história — com sabedoria que não falha.
Confessar Deus como Criador do Céu e da Terra também purifica o olhar sobre o mundo. A criação é dom: não é um ídolo a ser adorado, nem um objeto a ser saqueado. É campo de gratidão, de reverência e de trabalho santificado. O cristão aprende a usar as coisas sem se prender a elas, a amar as pessoas sem possuí-las, e a ordenar toda a vida para o fim último: a glória de Deus.
Se este artigo for rezado com o coração, ele se torna programa de vida: viver como filho, rezar como filho, sofrer como filho, trabalhar como filho — sempre diante do Pai. E, justamente porque este Pai é eterno e providente, Ele nos conduz ao centro do Credo: Jesus Cristo, seu Filho único, nosso Senhor. Nele, a paternidade de Deus se revela plenamente; nele, aprendemos o caminho seguro para voltar à casa do Pai.
ORAÇÃO DE ENCERRAMENTO
Ó Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, eu Te adoro e Te bendigo. Tu me deste o ser e sustentas cada instante da minha vida; nada existe fora do teu amor e da tua sabedoria. Recebe hoje a minha fé: eu creio em Ti e me abandono às tuas mãos.
Pai de misericórdia, concede-me a graça de viver como verdadeiro filho: com coração obediente, mente iluminada e vontade firme no bem. Cura em mim o medo, afasta o desespero e fortalece-me nas provações, para que eu confie na tua Providência mesmo quando não compreendo os teus caminhos.
Ensina-me a agradecer pelos teus dons, a reverenciar a criação como obra tua e a santificar o meu trabalho, oferecendo-Te tudo o que sou e faço. Que eu caminhe contigo, em paz e fidelidade, até o dia em que, pela tua graça, eu contemple a tua face e glorifique teu Nome para sempre. Amém.
REFERÊNCIAS
Council of Trent. Catechismus ex decreto Sacrosancti Concilii Tridentini ad Parochos (Catecismo Romano). Romae: In aedibus Populi Romani, 1566.
Council of Trent. The Roman Catechism: The Catechism of the Council of Trent for Parish Priests. Translated by John A. McHugh and Charles J. Callan. New York: Joseph F. Wagner, 1923.
Pius X. Compendio della dottrina cristiana prescritto da Sua Santità Papa Pio X alle diocesi della provincia di Roma. Roma: Tipografia Vaticana, 1905.




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