Cristo vence o poder do mal
- escritorhoa
- há 4 dias
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Liturgia Diária:
Dia 01/07/2026 - quarta-feira
Evangelho: Mateus 8,28-34
Naquele tempo, ao chegar Jesus à outra margem, à região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos por demônios, saindo dos túmulos. Eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho. Então eles gritaram: “Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”
A certa distância deles, havia uma grande manada de porcos pastando. Os demônios suplicavam a Jesus: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.” Jesus lhes disse: “Ide.” Eles saíram e entraram nos porcos. E toda a manada precipitou-se pelo barranco dentro do mar e morreu nas águas.
Os que guardavam os porcos fugiram e, indo à cidade, contaram tudo, também o que acontecera aos possessos. Então toda a cidade saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse daquela região.

Reflexão:
No Evangelho de hoje, Jesus chega à região dos gadarenos e encontra dois homens possuídos, violentos e excluídos. O sentido literal mostra a autoridade de Cristo sobre os demônios: eles o reconhecem como Filho de Deus, tremem diante do juízo e só podem agir com permissão. O Catecismo ensina que Satanás é criatura decaída, poderosa, mas limitada, já vencida pela obra redentora de Cristo (CIC, 391; 550). Assim, o medo não deve governar o cristão; quem pertence a Jesus vive sob um Senhor mais forte que todo mal.
O sentido alegórico revela que aqueles homens representam a humanidade ferida pelo pecado, habitando lugares de morte. Cristo atravessa o mar e vai ao encontro deles: é imagem de sua Encarnação e Páscoa, pelas quais desce às nossas misérias para libertar-nos. São João Crisóstomo observa que os demônios confessam a divindade de Cristo, mas sem amor nem obediência (Homilias sobre Mateus, 28,2). A fé verdadeira, portanto, não é apenas saber quem Jesus é; é acolhê-lo, segui-lo e deixar que Ele reine.
A cena também recorda que Jesus não evita periferias espirituais. Ele entra em território impuro, onde havia túmulos e porcos, para mostrar que nenhuma alma está fora do alcance de sua misericórdia. A libertação começa quando deixamos que sua palavra ilumine aquilo que escondemos nas sombras. Hoje, sua graça continua a procurar-nos com paciente e firme ternura.
O sentido moral aparece no contraste doloroso: os homens são libertos, mas a cidade pede que Jesus se retire. Preferem os porcos perdidos ao Salvador presente. Também nós podemos rejeitar a graça quando ela toca nossos interesses, vícios ou comodidades. Santo Agostinho recorda que há corações que amam mais a ordem terrena que a cidade de Deus (A cidade de Deus, XIV,28). O cristão deve examinar-se: que perda eu temo mais, a dos bens passageiros ou a perda da presença de Cristo?
Por fim, o sentido anagógico aponta para o juízo final, mencionado pelos próprios demônios: “vieste atormentar-nos antes do tempo?” A história caminha para a vitória plena de Cristo. O exorcismo é sinal do Reino que já chegou e ainda será consumado. Por isso, a Igreja invoca o nome de Jesus contra o mal, especialmente nos sacramentos e sacramentais (CIC, 1673). Peçamos hoje um coração que não expulse Cristo, mas o acolha. Onde Ele entra, os sepulcros tornam-se caminhos de vida, a escravidão se torna liberdade, e o medo cede lugar à paz.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Há alguma área da minha vida em que ainda resisto à autoridade libertadora de Cristo?
2. Tenho preferido conservar meus apegos ou acolher plenamente a presença de Jesus?
3. Na oração, peço apenas alívio exterior ou verdadeira libertação interior para viver unido a Deus?
Mensagem Final:
Cristo não teme entrar nas regiões feridas da nossa alma. Hoje, abra-lhe as portas com confiança. Nenhum pecado, medo ou opressão é maior que sua misericórdia. Não peça que Jesus se retire; peça que Ele reine. Onde sua presença é acolhida, nasce liberdade, paz e vida nova para caminhar rumo ao Céu com esperança humilde e perseverante cada novo dia.




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