Enviados leves para converter e curar
- escritorhoa
- há 16 horas
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Liturgia Diária:
Dia 05/02/2026 - Quinta-feira
Evangelho: Marcos 6,7-13
Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um bastão: nem pão, nem sacola, nem dinheiro no cinto; que fossem de sandálias e não levassem duas túnicas. E dizia-lhes: “Quando entrardes numa casa, ficai nela até sairdes daquele lugar. Se em algum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao partirdes dali, sacudi o pó debaixo dos vossos pés, como testemunho contra eles”. Então eles partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios, ungiam com óleo muitos doentes e os curavam.

Reflexão:
Na memória de Santa Águeda, virgem e mártir, a Igreja nos faz ouvir Jesus que envia os Doze dois a dois. No sentido literal, o Senhor chama discípulos concretos, dá-lhes autoridade sobre os espíritos impuros e os manda leves: sem pão, sem sacola, sem dinheiro, apenas um bastão e sandálias. A missão nasce da intimidade com Cristo e se sustenta na confiança na Providência, não em garantias humanas.
No sentido alegórico, os Doze representam a Igreja apostólica que caminha pelo mundo como sinal do Reino. Ir dois a dois manifesta comunhão e testemunho: o Evangelho é verdade recebida e transmitida, não opinião privada. O bastão recorda o pastor que guia; as sandálias indicam prontidão para anunciar. A ordem de não levar duas túnicas denuncia a duplicidade: quem prega não pode viver dividido entre Deus e o próprio interesse.
No sentido moral, este texto purifica nossas intenções. Quantas vezes queremos evangelizar carregando seguranças que nos tornam pesados: vaidade, controle, medo de rejeição, busca de aprovação? Jesus ensina: o mensageiro deve ser livre. A pobreza evangélica não é miséria, mas disponibilidade. Também a disciplina da missão é clara: onde não forem acolhidos, sacudi o pó e segui adiante. Não é desprezo pelas pessoas, mas liberdade interior, para não transformar a missão em disputa. O Catecismo afirma que a Igreja é missionária por sua própria natureza, pois procede da missão do Filho e do Espírito Santo (Catecismo da Igreja Católica, §849-850). Por isso, a missão se alimenta de oração, sobriedade e caridade, e avança sem amargura quando encontra portas fechadas ou incompreensão de muitos homens.
A memória de Santa Águeda ilumina este envio. Sua virgindade consagrada e seu martírio mostram uma vida sem duplicidade: uma única túnica, isto é, um coração indiviso. Ela não negociou a fé; preferiu perder a vida a perder Cristo. Assim, a missão exige coragem: expulsar o mal, curar feridas, ungir com óleo, sinal de misericórdia e cuidado, e chamar à conversão. São Gregório Magno adverte que a palavra deve ser confirmada por obras, para que a vida não contradiga a língua (Gregório Magno, Homiliae in Evangelia, II, 17).
No sentido anagógico, a missão antecipa a colheita final: cada casa que acolhe ou rejeita o Evangelho decide seu rumo diante de Deus. Caminhemos, portanto, leves e fiéis, com Águeda e com os apóstolos, para que, ao fim, sejamos recebidos na morada eterna do Pai, onde a alegria não passa.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Que “peso” interior (vaidade, controle, medo) preciso abandonar para servir a Cristo com liberdade?
2. Qual gesto concreto de missão posso viver hoje: corrigir com caridade, visitar, rezar com alguém, ajudar um doente?
3. Tenho coragem de permanecer fiel como Santa Águeda, mesmo quando a fé me custa renúncias?
Mensagem Final:
Cristo envia-te hoje com simplicidade humilde: dois a dois, leve, confiando na Providência. Leva somente a fé, a oração e a caridade. Se fores acolhido, permanece com gratidão; se fores rejeitado, sacode o pó sem rancor e continua. Aprende com Santa Águeda um coração indiviso, fiel até o fim. Então tua vida será unção de cura e chamada à conversão.




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