Felizes os olhos que veem
- escritorhoa
- 23 de jul.
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 23/07/2026 - quinta-feira
Evangelho: Mateus 13,10-17
Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que lhes falas em parábolas?” Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não foi dado. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância; mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo em parábolas: porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. Assim se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Ouvireis com os ouvidos e não compreendereis; vereis com os olhos e não percebereis. Pois o coração deste povo se tornou insensível; ouviram com dificuldade, fecharam os olhos, para não verem com os olhos, não ouvirem com os ouvidos, não compreenderem com o coração, não se converterem, e eu os curar.’ Mas felizes são os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram; desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.”

Reflexão:
Os discípulos aproximam-se de Jesus e recebem dele a explicação sobre o falar em parábolas. O sentido literal mostra uma diferença dolorosa: há corações que escutam e acolhem, e há corações endurecidos que veem sem perceber e ouvem sem compreender. Jesus não fala para esconder arbitrariamente a verdade, mas porque a parábola revela aos humildes e, ao mesmo tempo, manifesta a resistência dos soberbos.
O Catecismo ensina que a fé é dom de Deus e resposta livre do homem, que deve abrir inteligência e vontade à revelação divina (CIC, 153; 155). Por isso, Jesus chama bem-aventurados os olhos que veem e os ouvidos que ouvem. Os discípulos recebem não apenas informações, mas o mistério do Reino. São João Crisóstomo observa que Cristo cita Isaías para mostrar que a cegueira do povo nasce da própria negligência e dureza, não de falta de luz oferecida (Homilias sobre Mateus, 45,1).
No sentido alegórico, os discípulos representam a Igreja que recebe de Cristo a interpretação dos mistérios. As parábolas são como véus luminosos: ocultam aos curiosos e convidam os simples a entrar. Santo Agostinho ensina que, nas Escrituras, certas obscuridades exercitam a humildade, afastam a soberba e tornam mais doce a verdade encontrada com amor (De doctrina christiana, II,6). Assim, a Palavra forma discípulos atentos, não espectadores superficiais.
O sentido moral convida à escuta obediente. O coração pode tornar-se pesado por pecado, distração, orgulho ou apego às próprias ideias. Quando a Palavra é ouvida sem conversão, os ouvidos permanecem fechados. A bem-aventurança do discípulo está em acolher a luz recebida e deixá-la produzir fruto em atitudes concretas. Ver com os olhos da fé significa reconhecer Deus agindo no ordinário; ouvir com o coração significa obedecer sem demora. A leitura orante, a participação na Missa e a docilidade ao ensinamento da Igreja educam essa escuta interior. A alma que escuta assim torna-se terra boa, guarda o semeador em silêncio, resiste às vozes do mundo e cresce em esperança, caridade e perseverança fiel diante de Deus.
O sentido anagógico aponta para a visão plena prometida aos santos. Muitos profetas e justos desejaram ver o que os discípulos viram; nós, pela fé apostólica, participamos dessa graça e caminhamos para vê-la sem véu no Céu. Hoje, Cristo ainda abre os mistérios do Reino aos pequenos. Peçamos um coração curado, atento e humilde, para que a Palavra não passe por nós sem transformar-nos, mas nos conduza à luz eterna.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho escutado a Palavra de Deus com coração humilde e disposto à conversão?
2. Que distrações, pecados ou apegos tornam meu coração pesado diante do Evangelho?
3. Minha escuta da Palavra tem produzido frutos concretos de obediência, caridade e perseverança?
Mensagem Final:
Felizes os olhos que veem e os ouvidos que ouvem o Senhor. Peça a Cristo um coração simples, livre da dureza e atento à sua Palavra. Acolha os mistérios do Reino com humildade, oração e obediência. Quem escuta com fé torna-se terra boa e caminha, desde agora, para a visão luminosa de Deus no Céu eterno, com alegria fiel perseverante.




Comentários