O Pai está em Mim e Eu no Pai
- escritorhoa
- há 6 dias
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Liturgia Diária:
Dia 27/03/2026 - Sexta-feira
Evangelho: João 10,31-42
Naquele tempo, os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. Ele lhes disse: “Mostrei-vos muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas quereis apedrejar-me?” Responderam-lhe: “Não é por uma obra boa que te apedrejamos, mas por blasfêmia, porque tu, sendo homem, te fazes Deus.” Jesus replicou: “Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? Se a Lei chama deuses àqueles a quem a Palavra de Deus foi dirigida — e a Escritura não pode ser anulada —, como dizeis que blasfemo porque declarei: ‘Sou Filho de Deus’? Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis em mim. Mas, se as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai.” Tentaram novamente prendê-lo, mas Ele escapou de suas mãos. Jesus voltou para além do Jordão, ao lugar onde João havia batizado no início, e ali permaneceu. Muitos foram até Ele e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem era verdade.” E muitos ali creram nele.

Reflexão:
Neste trecho do Evangelho, a revelação da identidade divina de Cristo provoca hostilidade aberta. No sentido literal, os judeus desejam apedrejá-lo por blasfêmia, pois compreendem que Ele se faz igual a Deus. Jesus não nega a acusação; antes, confirma-a com profundidade, apontando para suas obras como testemunho da sua união com o Pai.
No sentido alegórico, as “obras” manifestam a presença do Reino. O Catecismo ensina que os milagres de Jesus confirmam que Ele é o Filho de Deus (CIC, 548). Não são gestos isolados, mas sinais que revelam a comunhão íntima entre o Pai e o Filho. A expressão “o Pai está em mim e eu no Pai” manifesta a unidade trinitária, mistério central da fé cristã.
No sentido moral, aprendemos que a incredulidade muitas vezes nasce da resistência interior, não da falta de provas. Santo Agostinho comenta que os inimigos de Cristo viam as obras, mas fechavam o coração à verdade (Tratados sobre o Evangelho de João, 48). Também nós podemos presenciar a ação de Deus e, ainda assim, permanecer indiferentes. A fé exige abertura humilde.
No sentido anagógico, a tentativa de prender Jesus revela que sua hora ainda não havia chegado. São Tomás de Aquino ensina que a Paixão ocorreu no tempo determinado pela providência divina (Suma Teológica III, q.47, a.1). Nada acontece fora do plano salvífico. Cristo caminha livremente rumo à entrega definitiva.
O retorno ao lugar do batismo de João recorda o início de sua missão pública. Muitos ali creram, reconhecendo que as palavras do Precursor eram verdadeiras. A fé nasce da escuta fiel e do reconhecimento das obras de Deus.
Este Evangelho convida-nos a contemplar a união entre o Pai e o Filho. Não seguimos apenas um profeta, mas o Verbo eterno encarnado.
Diante da revelação, somos chamados a decidir: rejeitar com pedras ou acolher com fé. Quem crê participa da comunhão divina que Jesus veio revelar.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Reconheço nas obras de Cristo a manifestação de sua divindade?
2. Minha incredulidade nasce de falta de provas ou de resistência interior?
3. Vivo unido a Cristo, buscando participar da comunhão com o Pai?
Mensagem Final:
Jesus revela sua união eterna com o Pai. Suas obras confirmam sua identidade divina. Não endureçamos o coração diante da verdade. Acolhamos com fé humilde o Filho de Deus, que caminha livremente para nossa salvação. Quem crê participa da comunhão trinitária e encontra vida que não passa.




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