Tocar Cristo com fé simples
- escritorhoa
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Liturgia Diária:
Dia 09/02/2026 - Segunda-feira
Evangelho: Marcos 6,53-56
Tendo atravessado, chegaram à terra de Genesaré e atracaram. Logo que saíram da barca, as pessoas reconheceram Jesus. Percorrendo toda aquela região, começaram a levar os doentes em macas para onde ouviam dizer que ele estava. E onde quer que ele entrasse — aldeias, cidades ou povoados — colocavam os enfermos nas praças e suplicavam que ao menos pudessem tocar a orla do seu manto. E todos os que o tocavam ficavam curados.

Reflexão:
No Evangelho de hoje, Jesus e os discípulos chegam a Genesaré; o povo o reconhece e corre de toda parte, trazendo doentes em macas. No sentido literal, Marcos mostra a fé simples de quem pede apenas tocar “a orla do seu manto”. E o resultado é claro: “todos os que o tocavam ficavam curados”. Cristo não é indiferente à dor; Ele se deixa encontrar no caminho e transforma a pressa do povo em ocasião de misericórdia.
No sentido alegórico, o toque no manto recorda que a humanidade de Jesus é o “sacramento” da presença divina: por meio do que é visível, Deus comunica a graça invisível. O manto indica também a Igreja, Corpo de Cristo, por onde a sua força continua a alcançar os enfermos. Assim, a cena anuncia a vida sacramental: o Senhor cura, perdoa e fortalece por sinais humildes, quando há fé.
No sentido moral, este texto corrige tanto o desânimo quanto a curiosidade vazia. Os habitantes de Genesaré não pedem teorias; suplicam encontro. A fé deles é prática: aproximar-se, tocar, permanecer. O Catecismo ensina que os milagres de Jesus são sinais do Reino e manifestam sua compaixão pelos sofredores, convidando à fé nele (Catecismo da Igreja Católica, §547-550). Ensina também que a oração de fé se apoia na confiança filial e no abandono à vontade do Pai (Catecismo da Igreja Católica, §2610). Por isso, a liturgia nos chama a tocar Cristo na Eucaristia, na Confissão e nos pobres, com humildade perseverante, sem superstição, mas com fé obediente, agradecida e concreta.
São Beda observa que, ao buscar apenas a orla, o povo confessa a humildade do Senhor, que se deixa alcançar por quem crê sem ostentação (Beda, In Marci Evangelium, VI). Assim, o cristão busca o Senhor com reverência e confiança, sem exigir sinais, mas acolhendo a cruz sempre. E Santo Agostinho adverte que muitos “apertam” Jesus na multidão, mas poucos o “tocam” com fé viva; o toque verdadeiro é o do coração que confia e se converte (Agostinho, Sermones, 62).
No sentido anagógico, as praças e aldeias cheias de enfermos lembram o mundo inteiro, ferido pelo pecado e pela morte. Cristo passa, e sua passagem é visita de Deus. Quem o toca com fé antecipa a cura definitiva prometida na ressurreição. Enquanto caminhamos, peçamos a graça de reconhecer o Senhor que chega, correr ao seu encontro e perseverar, para que toda enfermidade seja transformada em vida eterna.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. O que me impede de buscar Cristo com simplicidade e perseverança, como o povo de Genesaré?
2. Como posso “tocar a orla do manto” hoje, concretamente, na vida sacramental e na caridade?
3. Minha fé é apenas emoção momentânea ou adesão obediente que permanece quando a cruz se apresenta?
Mensagem Final:
Reconhece Jesus que passa e não adies o encontro. Aproxima-te com fé simples: toca-o na Eucaristia, busca-o na Confissão, serve-o nos pobres e doentes. A força de Cristo cura o corpo e, sobretudo, restaura o coração. Persevera sem superstição, com humildade obediente. Assim, tua casa e tua cidade se tornarão lugar de bênção e esperança para ti e muitos outros.




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