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A alegria de pertencer a Cristo

há 5 minutos
3 min de leitura

Liturgia Diária:

Dia 03/10/2026 - Sábado


Evangelho: Lucas 10,17–24

Os setenta e dois voltaram cheios de alegria, dizendo: “Senhor, até os demônios se submetem a nós em teu nome!” Jesus lhes disse: “Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos, antes, porque vossos nomes estão escritos nos céus.” Naquela mesma hora, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Voltando-se para os discípulos em particular, disse: “Felizes os olhos que veem o que vedes! Pois eu vos digo: muitos profetas e reis desejaram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram.”

Jesus louva o Pai diante dos discípulos e revela os mistérios do Reino aos pequenos, conforme Lucas 10,17–24.

Reflexão:

Os setenta e dois retornam alegres porque até os demônios se submetem ao nome de Jesus. O Senhor acolhe a alegria, mas imediatamente a purifica: o fundamento da felicidade cristã não está no êxito visível, no poder espiritual ou nos resultados do apostolado, e sim em ter o nome escrito nos céus. Assim, Cristo preserva seus discípulos do orgulho religioso e os conduz da satisfação pelas obras à gratidão pela salvação.

Jesus afirma ter visto Satanás cair como relâmpago. A missão do Reino envolve um combate real contra o mal, porém a vitória pertence ao Senhor. Os discípulos recebem autoridade, mas não autonomia; agem em seu nome. Quando o cristão atribui a si mesmo os frutos da graça, transforma um dom em ocasião de vaidade. Quando reconhece a fonte, pode trabalhar com coragem sem fazer do sucesso um ídolo.

Em seguida, Jesus exulta no Espírito Santo e louva o Pai porque os mistérios do Reino foram escondidos aos sábios e entendidos e revelados aos pequeninos. Não se trata de desprezar a inteligência, mas de condenar a autossuficiência. A verdade divina é acolhida por quem aceita receber. Fé e humildade caminham juntas: o coração pequeno não reduz o mistério; deixa-se instruir por Deus.

A memória dos mártires André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e companheiros dá a esta passagem uma ressonância forte. O martírio, ensina o Catecismo, é o supremo testemunho dado à verdade da fé, até a morte (Catecismo da Igreja Católica, 2473). A vitória cristã pode parecer derrota aos olhos do mundo, mas a fidelidade a Cristo possui uma medida eterna.

Também nós precisamos ordenar nossas alegrias. É bom agradecer por uma oração atendida, uma obra frutuosa, uma tentação vencida ou uma pessoa aproximada de Deus. Contudo, nada disso deve substituir a alegria maior: pertencemos a Cristo. Essa certeza sustenta o discípulo quando faltam resultados, reconhecimento e consolação. O Evangelho nos chama a combater sem presunção, servir sem vaidade, sofrer sem desespero e agradecer porque, pela graça, somos chamados à comunhão com o Pai no Filho.

A bem-aventurança final recorda ainda o privilégio dos discípulos: eles veem e ouvem aquilo que profetas e reis desejaram contemplar. Em Jesus, as promessas encontram cumprimento. Por isso, familiaridade com o Evangelho nunca deve gerar rotina. Cada leitura pede reverência, conversão e ação de graças, pois recebemos um tesouro que muitas gerações aguardaram na esperança, e somos responsáveis por testemunhá-lo fielmente.


Pensamentos para Reflexão Pessoal:

1. Minha alegria espiritual depende dos resultados que consigo perceber ou do fato de pertencer a Cristo?

2. Como posso servir a Deus hoje sem buscar reconhecimento, poder ou aprovação humana?

3. Recebo a Palavra com a humildade dos pequeninos ou permito que a autossuficiência feche meu coração?


Mensagem Final:

Alegre-se menos com resultados visíveis e mais por pertencer a Cristo. O poder, o êxito e até os frutos espirituais devem conduzir à humildade, nunca à vaidade. Recordando os mártires celebrados hoje, peça a graça da fidelidade até o fim. Escute o Evangelho como tesouro esperado pelos antigos e testemunhe com coragem aquilo que recebeu gratuitamente de Deus fielmente sempre.

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