A Loucura do Amor de Cristo
- escritorhoa
- 24 de jan.
- 2 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 24/01/2026 – Sábado
Evangelho: Marcos 3,20-21
Naquele tempo, Jesus voltou para casa com seus discípulos. E, de novo, a multidão se reuniu, de tal modo que eles não conseguiam nem comer. Quando seus parentes souberam disso, saíram para agarrá-lo, pois diziam: “Ele está fora de si”.

Reflexão:
O Evangelho revela o drama da incompreensão que acompanha a missão de Jesus. No sentido literal, a intensidade de sua entrega provoca preocupação até entre seus parentes, que interpretam seu zelo como desmedida. A multidão o procura incessantemente, e Cristo se deixa consumir pelo serviço, revelando que sua vida está inteiramente orientada para cumprir a vontade do Pai.
Alegoricamente, a acusação de loucura manifesta o escândalo da Encarnação. O Filho de Deus, assumindo a condição humana, aceita ser julgado segundo critérios mundanos. São Paulo já anunciara este paradoxo ao afirmar que “a loucura de Deus é mais sábia que os homens” (1Cor 1,25). São Gregório de Nissa ensina que “o amor divino parece loucura aos olhos que não conhecem Deus” (De Beatitudinibus, oratio 6).
No plano moral, este Evangelho confronta o cristão com a possibilidade de ser incompreendido por causa da fidelidade a Cristo. O Catecismo recorda que seguir Jesus implica renúncia e disposição para carregar a cruz (CIC, 618). Quando a vida é totalmente orientada ao Reino, ela pode parecer exagerada ou desequilibrada aos olhos do mundo. Contudo, é nessa aparente perda que se encontra a verdadeira liberdade.
Anagogicamente, a incompreensão sofrida por Cristo antecipa sua paixão e glorificação. A rejeição dos homens não impede o desígnio salvífico de Deus, mas o conduz à plenitude. A Igreja, unida ao seu Senhor, participa deste mesmo caminho, sabendo que a fidelidade presente se transformará em glória futura.
Este Evangelho convida à purificação das motivações. A proximidade física com Jesus não garante compreensão espiritual. Os parentes veem, mas não entendem; a multidão busca, mas nem sempre crê. O discípulo é chamado a ultrapassar a lógica humana e aderir ao mistério da cruz. A “loucura” de Cristo é, na verdade, amor radical que não calcula, não se poupa e não recua diante da entrega total.
Quem aceita segui-lo aprende que viver para Deus pode parecer insensato, mas conduz à vida verdadeira. Assim, o cristão é convidado a escolher entre a aprovação do mundo e a fidelidade ao Senhor, sabendo que somente esta última gera frutos eternos e conduz à comunhão plena com Deus.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho medo de ser incompreendido por causa da minha fé?
2. Minha entrega a Cristo é total ou condicionada à aprovação dos outros?
3. Estou disposto a viver a “loucura” do amor evangélico?
Mensagem Final:
Jesus aceita ser considerado louco por amor ao Pai e à humanidade. Seu zelo revela o caminho da verdadeira vida. Não temas a incompreensão nem o julgamento alheio. Escolhe a fidelidade a Cristo acima da aprovação do mundo. A aparente loucura do Evangelho é sabedoria divina que salva, liberta e conduz à comunhão eterna com Deus para sempre.




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