A Luz que Brilha nas Trevas
- escritorhoa
- 5 de jan.
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 05/01/2026 – Segunda-feira
Evangelho: Mateus 4,12-17.23-25
Naquele tempo, ao saber que João tinha sido preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: “Terra de Zabulon e terra de Neftali, caminho do mar, região do além-Jordão, Galileia dos gentios: o povo que estava nas trevas viu uma grande luz; aos que habitavam na região e na sombra da morte, uma luz se levantou”. Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda doença e enfermidade do povo. Sua fama espalhou-se por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que sofriam de diversos males, e ele os curava. Grandes multidões o seguiam.

Reflexão:
O Evangelho apresenta o início da vida pública de Jesus. Após a prisão de João Batista, o Senhor não recua, mas avança. Vai para a Galileia, região desprezada e misturada aos gentios. O sentido literal revela uma escolha concreta: Deus começa a iluminar precisamente onde as trevas parecem mais densas. A missão de Cristo nasce na periferia, não no centro do poder religioso.
Cumpre-se a profecia de Isaías: uma grande luz resplandece sobre os que jaziam na sombra da morte. Essa luz não é ideia nem doutrina abstrata, mas a Pessoa do próprio Cristo. São João Crisóstomo afirma que Jesus “não escolheu Jerusalém, mas a Galileia, para mostrar que veio curar o mundo inteiro” (Homiliae in Matthaeum, XIV, 1). A luz do Reino não exclui ninguém e não depende de méritos humanos.
O anúncio central de Jesus é simples e exigente: “Convertei-vos”. O Reino está próximo porque o Rei está presente. O sentido moral interpela cada cristão: conversão não é sentimento passageiro, mas mudança de mente, de direção e de vida. Onde a luz chega, as obras das trevas devem ser abandonadas. São Basílio Magno ensina que “converter-se é voltar toda a alma para Deus, afastando-se do pecado” (Regulae Fusius Tractatae, resp. 2). A proximidade do Reino exige decisão.
O Evangelho mostra ainda que Jesus ensina, proclama e cura. Palavra e ação caminham juntas. O Reino anunciado transforma a pessoa inteira, corpo e alma. A cura dos enfermos manifesta que o pecado fere profundamente o ser humano e que a salvação oferecida por Cristo restaura a totalidade da vida. Como recorda o Catecismo, “a vinda do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás” (CIC, 550).
No sentido alegórico, a Galileia representa o mundo, muitas vezes marcado pela confusão e pela ignorância de Deus. Cristo percorre “toda a Galileia”, sinal de que não há espaço onde a graça não possa chegar. A Igreja prolonga essa missão quando anuncia o Evangelho e cuida dos feridos da história.
No sentido anagógico, a luz que desponta na Galileia antecipa a luz definitiva da glória. Quem segue Jesus caminha já agora na claridade da vida eterna. As multidões que o seguem anunciam a assembleia dos redimidos. Este Evangelho convida a deixar-se alcançar pela luz de Cristo e a tornar-se, por conversão e testemunho, reflexo dessa luz no mundo.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Quais trevas pessoais ainda resistem à luz do Evangelho em minha vida?
2. Minha conversão é concreta ou apenas desejo sem mudança real?
3. Como posso levar a luz de Cristo às “Galileias” que encontro no cotidiano?
Mensagem Final:
Jesus começa sua missão fazendo brilhar a luz onde havia trevas. Hoje Ele também se aproxima de sua história e chama à conversão. Abra o coração ao Reino que já está presente, deixe-se curar por sua Palavra e caminhe na luz. Quem acolhe Cristo não permanece na sombra, mas torna-se sinal de esperança para muitos irmãos.




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