A Paz do Ressuscitado e a Missão da Igreja
- escritorhoa
- há 7 horas
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 09/04/2026 - Quinta-feira
Evangelho: Lucas 24,35-48
Naquele tempo, os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!”. Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando ver um espírito. Mas Jesus disse: “Por que estais perturbados, e por que surgem dúvidas em vosso coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai-me e vede! Um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho”. E dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, como ainda não podiam acreditar, por causa da alegria, e estavam admirados, Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?”. Deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles. Depois disse: “São estas as palavras que vos falei quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Então abriu-lhes a inteligência para compreenderem as Escrituras, e disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e em seu nome será anunciada a conversão para o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso”.

Reflexão:
Neste Evangelho, Cristo ressuscitado aparece aos discípulos e lhes oferece a paz. Esta paz não é apenas ausência de conflito, mas dom divino que restaura a alma. Santo Agostinho afirma: “A paz é a tranquilidade da ordem” (Cidade de Deus, XIX, 13).
Os discípulos, porém, estão perturbados e duvidam. Literalmente, revelam a dificuldade humana em crer no sobrenatural. Jesus responde mostrando suas chagas, confirmando a realidade de sua ressurreição corporal. São João Crisóstomo ensina que Ele quis “remover toda dúvida pela evidência” (Homilia sobre Lucas).
Ao pedir alimento e comer diante deles, Cristo reafirma que não é espírito, mas verdadeiro homem glorificado. O Catecismo ensina que a ressurreição é real e histórica, embora transcenda a experiência comum (cf. CIC 643).
Alegoricamente, as chagas permanecem como sinais do amor redentor. São Gregório Magno afirma: “As cicatrizes de Cristo são a prova da sua caridade” (Homilia 26 sobre os Evangelhos). Moralmente, somos chamados a confiar na misericórdia que brota dessas chagas.
Jesus abre a inteligência dos discípulos para compreenderem as Escrituras. Isso mostra que a fé não é apenas emocional, mas iluminada pela graça. São Tomás de Aquino ensina que a fé envolve o intelecto movido pela vontade (Suma Teológica, II-II, q.2, a.9).
Anagogicamente, a ressurreição aponta para nossa própria glorificação futura. Cristo é primícia dos que ressuscitam. Santo Ambrósio declara: “Na ressurreição de Cristo está a nossa esperança” (De Fide, IV).
Por fim, Jesus confia aos discípulos a missão de anunciar a conversão e o perdão dos pecados. A Igreja nasce como testemunha da ressurreição. O Catecismo ensina que os Apóstolos são enviados como testemunhas autênticas (cf. CIC 857).
Assim, o cristão é chamado a acolher a paz de Cristo, superar as dúvidas e viver como testemunha. A fé amadurece quando iluminada pela Palavra e confirmada pela experiência da graça.
Também hoje, Cristo se coloca no meio de nós e diz: “A paz esteja convosco”. Ele nos convida a confiar, a compreender as Escrituras e a anunciar sua vitória.
Não basta admirar; é preciso testemunhar. Quem encontrou o Ressuscitado torna-se missionário.
Portanto, vivamos na paz, na fé e na missão, certos de que Cristo vive e nos envia ao mundo como testemunhas da verdade e do amor eterno de Deus.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho acolhido a paz de Cristo ou permanecido na inquietação e na dúvida?
2. Busco compreender as Escrituras com fé e abertura à graça de Deus?
3. Tenho vivido como testemunha da ressurreição no meu dia a dia?
Mensagem Final:
Cristo ressuscitado oferece sua paz e confirma nossa fé. Não deixemos que a dúvida domine o coração, mas acolhamos a verdade com confiança. Ele nos envia como testemunhas do perdão e da vida nova. Vivamos essa missão com coragem, anunciando o amor de Deus. Assim, nossa vida será sinal da presença do Ressuscitado no mundo e caminho de salvação.




Comentários