A Verdadeira Família de Jesus
- escritorhoa
- 27 de jan.
- 2 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 27/01/2026 – Terça-feira
Evangelho: Marcos 3,31-35
Naquele tempo, a mãe e os irmãos de Jesus chegaram. Ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor de Jesus. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” E, olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Reflexão:
O Evangelho revela uma palavra exigente de Jesus sobre os laços mais profundos da vida humana. No sentido literal, Cristo não rejeita sua mãe nem seus parentes, mas amplia o significado da família, colocando a obediência à vontade de Deus como critério decisivo da verdadeira pertença a Ele. A multidão sentada ao seu redor simboliza os que escutam com atenção e acolhem sua palavra.
Alegoricamente, Maria aparece como modelo perfeito desta nova família, pois ninguém realizou a vontade de Deus com maior plenitude do que ela. Santo Agostinho afirma: “Maria foi mais feliz por ter feito a vontade do Pai do que por ter concebido a carne de Cristo” (De Sancta Virginitate, 3). Assim, o Evangelho não diminui a Mãe do Senhor, mas revela a raiz espiritual de sua grandeza.
No plano moral, Jesus ensina que a fé não se reduz a vínculos naturais ou a práticas exteriores. O Catecismo recorda que o discipulado exige escuta da Palavra e cumprimento da vontade divina (CIC, 143). Fazer parte da família de Cristo implica conversão contínua, docilidade ao Espírito e coerência de vida. São João Crisóstomo observa que “não basta ouvir Cristo, é preciso tornar-se aquilo que Ele diz” (Homiliae in Matthaeum, 44).
Anagogicamente, a nova família anunciada por Jesus aponta para a comunhão definitiva dos santos, onde todos os que fazem a vontade de Deus viverão unidos como filhos no Filho. A Igreja já antecipa esta realidade ao reunir, em Cristo, pessoas de todas as nações e condições, formando um só corpo.
Este Evangelho convida o fiel a rever suas prioridades. A proximidade física com Jesus não garante comunhão verdadeira; esta nasce da adesão interior à vontade do Pai. Sentar-se ao redor de Cristo significa escutar, aprender e conformar a própria vida ao Evangelho. A verdadeira família de Jesus não se define por sangue, mas pela fé vivida no amor. Quem acolhe a Palavra e a coloca em prática descobre que pertence a uma família mais profunda e duradoura, fundada na graça. Assim, cada cristão é chamado a viver como filho obediente, irmão solidário e testemunha do Reino, construindo, já neste mundo, os laços eternos que permanecem em Deus.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho buscado fazer a vontade de Deus acima de meus interesses pessoais?
2. Minha fé se expressa em obediência concreta ao Evangelho?
3. Sinto-me membro vivo da família espiritual de Cristo?
Mensagem Final:
Jesus revela que a verdadeira família nasce da obediência à vontade do Pai. Não são os laços de sangue que salvam, mas a fé vivida no amor. Escuta a Palavra, acolhe-a no coração e pratica-a com fidelidade. Assim, descobrirás que pertences à família de Cristo e viverás como filho de Deus, irmão dos homens e herdeiro da vida eterna prometida.




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