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Amar segundo a misericórdia do Pai

há 11 minutos
3 min de leitura

Liturgia Diária:

Dia 10/09/2026 - Quinta-feira


Evangelho: Lucas 6,27–38

“Mas a vós que ouvis, eu digo: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam e orai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa face, oferece também a outra; e a quem tirar teu manto, não impeças que leve também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir; e, se alguém levar o que é teu, não o reclames de volta. Como quereis que os homens façam convosco, fazei do mesmo modo com eles. Se amais os que vos amam, que mérito tendes? Também os pecadores amam aqueles que os amam. E se fazeis o bem aos que vos fazem o bem, que mérito tendes? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que mérito tendes? Também os pecadores emprestam aos pecadores para receberem outro tanto. Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem nada esperar em troca. Então será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai, e vos será dado: uma medida boa, apertada, sacudida e transbordante será colocada em vosso regaço. Pois com a medida com que medirdes, sereis medidos.”

Jesus ensina aos discípulos sobre amar os inimigos, perdoar e ser misericordioso, em cena inspirada em Lucas 6,27–38.

Reflexão:

“A vós que ouvis, eu digo: amai os vossos inimigos.” Jesus não apresenta um conselho reservado a poucos cristãos excepcionais, mas uma exigência própria dos seus discípulos. O amor cristão ultrapassa a reciprocidade natural: fazer o bem a quem nos faz bem é justo, porém ainda não manifesta plenamente a novidade do Evangelho. Cristo manda amar, fazer o bem, abençoar e rezar justamente por aqueles que ferem, odeiam ou caluniam.

Esse amor não significa aprovar o mal, negar a justiça ou permanecer passivo diante de abusos. Santo Agostinho, comentando o preceito de amar os inimigos, distingue a pessoa, que deve ser amada enquanto criatura de Deus, do pecado, que deve ser rejeitado. A caridade deseja o verdadeiro bem do inimigo: sua conversão, sua libertação do mal e sua salvação. Por isso pode exigir correção, limites e medidas justas, sem alimentar vingança ou ódio.

O fundamento aparece no próprio Evangelho: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso”. O discípulo ama porque primeiro recebeu misericórdia. O Catecismo ensina que Cristo morreu por nós quando ainda éramos inimigos e pede que amemos até os inimigos, à sua maneira (CIC 1825). Também recorda que a oração cristã chega ao perdão dos inimigos e configura o discípulo ao Mestre (CIC 2844). Portanto, perdoar não é fingir que nada aconteceu; é recusar entregar o coração ao poder da ofensa.

Jesus liga esse amor ao modo como julgamos e medimos os outros. “Não julgueis” não proíbe todo discernimento moral; proíbe a condenação presunçosa que usurpa o lugar de Deus e reduz a pessoa ao seu pecado. Somos chamados a discernir ações, proteger inocentes e buscar a verdade, mas sempre conscientes de que também necessitamos de perdão.

Na prática, o Evangelho pode começar por algo simples e difícil: não repetir uma ofensa, não desejar humilhação ao adversário, rezar sinceramente por quem nos feriu, responder sem crueldade e procurar reconciliação quando ela for possível e prudente. A medida transbordante prometida por Cristo começa a aparecer quando deixamos de calcular o mínimo devido e aprendemos a dar segundo a misericórdia recebida. Assim, o coração deixa de ser espelho do inimigo e se torna sinal do Pai.

Esse caminho é impossível sem graça. Na Confissão, reconhecemos nossa dívida e recebemos perdão; na Eucaristia, somos unidos ao Cristo que se entrega pelos pecadores. Quem permanece nele aprende, gradualmente, a vencer o mal não pela imitação da violência, mas pela perseverança no bem.


Pensamentos para Reflexão Pessoal:

1. Existe alguém cuja ofensa ainda governa meus pensamentos, palavras ou decisões?

2. Qual gesto concreto de bem, oração ou perdão posso oferecer sem confundir misericórdia com aprovação do mal?

3. Tenho recorrido aos Sacramentos para receber de Cristo a graça que torna possível amar além da reciprocidade?


Mensagem Final:

Amar os inimigos não é aprovar o mal, mas recusar que o ódio governe o coração. Peça a graça de rezar por quem o feriu, estabeleça limites justos quando necessários e renuncie à vingança. Na Confissão e na Eucaristia, receba a misericórdia que torna possível perdoar. A medida de Cristo é generosa: vencer o mal perseverando sempre concretamente no bem.

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