Chamados para Estar com Ele
- escritorhoa
- 23 de jan.
- 2 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 23/01/2026 – Sexta-feira
Evangelho: Marcos 3,13-19
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte e chamou os que Ele quis. E eles foram até Ele. Então instituiu Doze, para que estivessem com Ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Instituiu os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, aquele que depois o entregou.

Reflexão:
O Evangelho narra a livre escolha dos Doze, realizada por Jesus no monte, lugar bíblico do encontro com Deus. No sentido literal, Cristo não convoca por mérito humano, mas “os que Ele quis”, revelando que toda vocação nasce da iniciativa divina. Antes de qualquer missão, os apóstolos são chamados para estar com Ele, aprendendo na convivência diária o mistério do Reino.
Alegoricamente, o monte simboliza a elevação da alma que responde ao chamado de Deus. A constituição dos Doze recorda as doze tribos de Israel, indicando que Jesus inaugura o novo Povo de Deus. São Cirilo de Alexandria ensina que “Cristo forma a Igreja a partir da comunhão com Ele” (Commentarius in Lucam, sermo 12). A autoridade apostólica não é poder humano, mas participação na missão do próprio Cristo.
No plano moral, este Evangelho ensina que todo serviço na Igreja deve brotar da intimidade com o Senhor. O Catecismo afirma que a vocação cristã é, antes de tudo, chamada à comunhão com Cristo (CIC, 787). Quando a ação precede a contemplação, o discípulo corre o risco de esvaziar sua missão. Santo Tomás de Aquino recorda que “ninguém pode transmitir o que não recebeu” (Summa Theologiae, III, q. 40, a. 1).
Anagogicamente, o chamado dos Doze antecipa a reunião definitiva dos eleitos no Reino eterno. A Igreja peregrina, edificada sobre o fundamento apostólico, caminha rumo à Jerusalém celeste, onde todos os chamados estarão plenamente unidos a Cristo. Mesmo a presença de Judas recorda que a eleição não suprime a liberdade, nem elimina o drama da resposta humana.
Este Evangelho convida o fiel a redescobrir o sentido do próprio chamado. Todo batizado é escolhido para estar com Cristo, escutar sua palavra e participar de sua missão. A fecundidade da vida cristã não depende do reconhecimento humano, mas da fidelidade silenciosa ao Senhor. Permanecer com Ele transforma o coração e dá autoridade espiritual para testemunhar o Evangelho. Assim, a Igreja cresce não pela força, mas pela comunhão viva com Cristo, que continua chamando, formando e enviando seus discípulos ao mundo, sustentados pela graça, pela oração e pela fidelidade diária.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho priorizado “estar com Cristo” antes de agir em seu nome?
2. Reconheço minha vocação como dom gratuito e responsabilidade?
3. Minha vida cristã nasce da comunhão com Jesus ou apenas do ativismo?
Mensagem Final:
Jesus chama por amor e envia por missão. Antes de fazer, é preciso estar com Ele. Toda vocação nasce da intimidade com Cristo e se fortalece na fidelidade cotidiana. Deixa-te escolher, formar e enviar pelo Senhor. Somente quem permanece unido a Cristo pode anunciar o Evangelho com autoridade espiritual, humildade verdadeira e perseverança fiel até o fim da vida cristã.




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