Eis o Cordeiro de Deus
- escritorhoa
- 3 de jan.
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 03/01/2026 – Sábado
Evangelho: João 1,29-34
Naquele tempo, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. Também eu não o conhecia, mas se vim batizar com água foi para que ele fosse manifestado a Israel”. João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou para batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, esse é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus”.

Reflexão:
O testemunho de João Batista atinge aqui o seu ápice: ele não apenas prepara, mas revela. Ao ver Jesus, proclama: “Eis o Cordeiro de Deus”. No sentido literal, a imagem remete ao cordeiro pascal e aos sacrifícios do Templo. João afirma que Jesus é aquele que tira o pecado do mundo, não apenas de Israel. A salvação adquire dimensão universal.
O sentido alegórico conduz-nos ao mistério da Redenção. Cristo é o verdadeiro Cordeiro, prefigurado no Êxodo e anunciado pelos profetas, que oferece a si mesmo em sacrifício perfeito. São Gregório Magno ensina: “O Cordeiro sem mancha foi imolado para que a mancha do pecado fosse apagada” (Homiliae in Evangelia, II, 7). Nele se cumprem as figuras antigas, e o culto antigo encontra sua plenitude. O Espírito que desce e permanece revela que este sacrifício é obra trinitária: o Filho oferece-se ao Pai no Espírito Santo.
O sentido moral interpela a vida cristã. Se Cristo tira o pecado do mundo, é porque o pecado é real e destrói a comunhão com Deus. Reconhecer o Cordeiro implica reconhecer a própria necessidade de salvação. João não fala de si, mas aponta com clareza para Jesus. Assim também o discípulo é chamado a afastar o orgulho espiritual e a conduzir outros ao Cordeiro, especialmente pela vida sacramental. A Eucaristia torna presente aquele mesmo Cordeiro anunciado às margens do Jordão. Como recorda o Catecismo, “o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício” (CIC, 1367).
O sentido anagógico abre-nos para o fim último. O Cordeiro que tira o pecado do mundo é o mesmo que reina glorioso no céu, conforme o Apocalipse. Participar de sua vida agora é antecipar a liturgia eterna. O Espírito que permanece em Cristo é prometido também à Igreja, conduzindo-a até a consumação dos tempos.
João Batista afirma: “Eu vi e dou testemunho”. A fé cristã nasce do testemunho e conduz ao testemunho. Quem encontrou o Cordeiro não pode permanecer em silêncio. Este Evangelho ensina que a verdadeira identidade de Jesus só é reconhecida à luz do Espírito. Por isso, a Igreja reza para que o Espírito nos seja dado, a fim de reconhecer, adorar e seguir o Filho de Deus que veio para tirar o pecado do mundo e restaurar todas as coisas nele.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Reconheço, com humildade, minha necessidade do Cordeiro que tira o pecado do mundo?
2. Como participo, com fé viva, do sacrifício eucarístico de Cristo?
3. Dou testemunho de Jesus com clareza, ou escondo minha fé por medo ou comodismo?
Mensagem Final:
Contemplar Jesus como Cordeiro de Deus é reconhecer o amor que se oferece por nós. Ele tira o pecado do mundo e devolve a esperança. Acolha o testemunho de João, aproxime-se da Eucaristia e deixe o Espírito Santo agir em sua vida. Quem segue o Cordeiro caminha na luz, aprende a amar e prepara-se para a glória eterna prometida aos fiéis.




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