É Necessário que Ele Cresça
- escritorhoa
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 10/01/2026 – Sábado
Evangelho: João 3,22-30
Naquele tempo, Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia, onde permaneceu com eles e batizava. João também estava batizando em Enon, perto de Salim, porque havia muita água ali, e as pessoas iam até ele para serem batizadas. João ainda não tinha sido posto na prisão. Surgiu então uma discussão entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação. Eles foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem deste testemunho, agora está batizando, e todos vão a ele”. João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado à sua frente. O noivo é aquele a quem pertence a esposa; o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. É necessário que ele cresça e eu diminua”.

Reflexão:
O Evangelho apresenta o último e mais profundo testemunho de João Batista. No sentido literal, surge uma tensão: Jesus cresce em popularidade, enquanto João parece diminuir. Os discípulos do Batista sentem-se ameaçados, mas João responde com serenidade sobrenatural. Ele reconhece que toda missão vem do céu e que nada pode ser apropriado como posse pessoal.
João reafirma sua identidade: não é o Cristo, mas o precursor. No sentido alegórico, ele se apresenta como o amigo do noivo. Cristo é o Esposo; o povo é a esposa. A alegria do amigo consiste em ouvir a voz do noivo e desaparecer. Santo Agostinho comenta: “João se alegra não por ter discípulos, mas por preparar a esposa para o Esposo” (In Ioannis Evangelium Tractatus, 14,5). Assim, João representa a Igreja fiel, que não chama atenção para si, mas conduz a Cristo.
No sentido moral, esta passagem é uma escola de humildade. “É necessário que Ele cresça e eu diminua” não é perda, mas plenitude. João encontra sua alegria na obediência e na verdade. São Gregório Magno ensina que “a verdadeira humildade não se entristece ao ser diminuída, porque encontra sua glória em Deus” (Moralia in Iob, XXIII, 13). O discípulo autêntico não compete com Cristo, mas se alegra quando Ele é reconhecido.
A rivalidade espiritual nasce quando esquecemos que tudo é dom. João lembra que ninguém pode receber algo se não lhe for dado do céu. O sentido moral exige purificar intenções: servir sem buscar aplauso, anunciar sem desejar centralidade. A vida cristã amadurece quando o ego diminui e Cristo ocupa o centro. O Catecismo ensina que toda vocação cristã é ordenada à edificação do Corpo de Cristo, não à exaltação pessoal.
No sentido anagógico, a imagem do noivo aponta para a união definitiva entre Cristo e a Igreja na glória. A alegria do amigo antecipa a alegria eterna dos santos, que se regozijam não em si mesmos, mas na vitória do Cordeiro. Diminuir aqui é preparar-se para participar plenamente da alegria do céu.
Este Evangelho ensina que a maturidade espiritual se reconhece pela alegria humilde. Quando Cristo cresce na vida do fiel, nasce a paz interior. João Batista desaparece, mas sua missão permanece. Ele nos ensina que a santidade consiste em tornar Cristo visível, mesmo ao custo de desaparecer aos olhos do mundo. Assim, a alegria torna-se completa.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Alegro-me quando Cristo é reconhecido, mesmo que eu não apareça?
2. Quais atitudes revelam ainda rivalidade ou busca de protagonismo espiritual?
3. Tenho encontrado minha alegria em servir humildemente o Reino de Deus?
Mensagem Final:
João Batista ensina que a verdadeira alegria nasce quando Cristo ocupa o centro. Diminuir não é perder, mas permitir que Deus apareça. Purifique suas intenções, sirva com humildade e não tema desaparecer. Quando Jesus cresce em você, o coração encontra paz, a missão torna-se fecunda e a alegria torna-se completa, duradoura e livre, como dom do céu.
