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O Cristo que passa pela Cruz

há 6 minutos
3 min de leitura

Liturgia Diária:

Dia 25/09/2026 - Sexta-feira


Evangelho : Lucas 9,18–22

Certa vez, Jesus estava rezando a sós, e os discípulos estavam com ele. Então lhes perguntou: “Quem dizem as multidões que eu sou?” Eles responderam: “João Batista; outros dizem Elias; outros, ainda, que algum dos antigos profetas ressuscitou”. Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Jesus, porém, repreendeu-os e ordenou que não contassem isso a ninguém, dizendo: “É necessário que o Filho do Homem sofra muito, seja rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia”.

Jesus pergunta aos discípulos quem Ele é; Pedro professa que Jesus é o Cristo de Deus, conforme Lc 9,18–22.

Reflexão:

Jesus pergunta primeiro o que as multidões dizem a seu respeito. As respostas são honrosas, mas insuficientes : João Batista, Elias ou algum antigo profeta. Então o Senhor dirige a pergunta aos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro responde em nome do grupo: “O Cristo de Deus”. A fé cristã começa com essa confissão, mas o Evangelho mostra imediatamente que é preciso compreender que tipo de Messias Jesus é.

Logo após a resposta de Pedro, Cristo anuncia sua paixão: o Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado, morto e ressuscitar ao terceiro dia. Assim, a identidade messiânica de Jesus não pode ser separada da Cruz. Ele não veio realizar expectativas de triunfo terreno, mas cumprir o desígnio salvífico do Pai mediante a obediência até a morte e a vitória da Ressurreição. A glória passa pelo sacrifício redentor.

O fato de Jesus estar em oração antes desse diálogo é significativo. Em Lucas, momentos decisivos do ministério aparecem ligados à oração. A confissão de fé e o mistério da Cruz não são temas para mera discussão intelectual; pedem um coração aberto a Deus. A oração purifica nossas ideias sobre Cristo e impede que fabriquemos um salvador segundo nossos desejos.

Também hoje podemos repetir palavras corretas sobre Jesus sem aceitar plenamente seu caminho. É possível chamá-lo Senhor e, ao mesmo tempo, rejeitar tudo o que exige renúncia, paciência, fidelidade ou sofrimento oferecido com amor. A fé autêntica não busca a dor por si mesma, mas reconhece que seguir Cristo inclui permanecer com Ele quando a obediência custa.

A pergunta pessoal continua inevitável: “Quem dizeis que eu sou?” Ninguém responde adequadamente apenas com a opinião da cultura, da família ou do ambiente religioso. A Igreja nos entrega a fé apostólica, mas cada batizado precisa acolhê-la pessoalmente e viver de acordo com ela. Confessar Jesus como Cristo significa receber também sua palavra, seus sacramentos, seus mandamentos e sua Cruz.

Pedro acerta o título; Jesus revela seu conteúdo. Nós também precisamos permitir que o próprio Senhor corrija nossas expectativas. Quando Cristo deixa de ser projeção dos nossos projetos e se torna verdadeiramente o centro, a fé amadurece. Então a Cruz já não parece derrota final, mas caminho pascal para a vida.

A tradição cristã lê essa passagem como eixo do discipulado: reconhecer o Messias crucificado e ressuscitado é aceitar que a salvação vem de Deus, não do poder humano. A esperança nasce daí.


Pensamentos para Reflexão Pessoal:

1. Quem é Jesus para mim quando sua vontade contradiz meus planos e expectativas?

2. Tenho procurado uma fé sem Cruz, evitando deveres, renúncias ou sofrimentos que a fidelidade cristã exige?

3. Minha oração permite que Cristo purifique a imagem que construí dele e aprofunde minha confissão de fé?


Mensagem Final:

Confessar Jesus como Cristo significa acolher também sua Cruz e sua Ressurreição. Hoje, apresente ao Senhor aquilo que mais custa em sua fidelidade: uma renúncia, um sofrimento, uma espera ou um dever difícil. Não peça apenas que a Cruz desapareça; peça a graça de carregá-la com fé, unido a Cristo, certo de que o caminho pascal conduz à vida verdadeira.

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