O Senhor do Sábado
- escritorhoa
- 20 de jan.
- 2 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 20/01/2026 – Terça-feira
Evangelho: Marcos 2,23-28
Num dia de sábado, Jesus passava pelos campos de trigo. Enquanto caminhavam, seus discípulos começaram a arrancar espigas. Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem no sábado o que não é permitido?” Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros passaram necessidade e tiveram fome? Como entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, comeu os pães da oferenda, que só aos sacerdotes era permitido comer, e os deu também aos seus companheiros?” E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado.”

Reflexão:
O episódio do sábado revela o coração da Lei e denuncia sua deformação quando separada da misericórdia. No sentido literal, Jesus defende seus discípulos recordando que a necessidade humana não contradiz a vontade de Deus. A Lei foi dada para conduzir à vida, não para oprimir. Ao citar Davi, Cristo mostra que a própria Escritura reconhece a primazia da vida sobre a letra.
Alegoricamente, o sábado aponta para o repouso prometido por Deus, que se cumpre plenamente em Cristo. São Gregório Magno afirma: “O verdadeiro descanso é encontrar em Deus a paz que o mundo não pode dar” (Homiliae in Evangelia, I, 16). Jesus, Senhor do sábado, revela-se como aquele em quem a antiga promessa encontra sua realização definitiva.
No plano moral, o Evangelho adverte contra o legalismo que endurece o coração. O Catecismo ensina que a observância da lei moral deve ser animada pela caridade, que é sua plenitude (CIC, 1972). Quando a norma se torna absoluta e ignora a pessoa concreta, ela deixa de servir ao desígnio divino. Santo Tomás de Aquino recorda que “a letra da lei mata quando não é guiada pelo espírito da justiça” (Summa Theologiae, I-II, q. 96, a. 6).
Anagogicamente, o sábado prefigura o descanso eterno, no qual o homem participa da vida de Deus. O Cristo ressuscitado introduz os fiéis nesse repouso definitivo, libertando-os da escravidão do pecado e do medo. Assim, cada domingo, vivido à luz deste Evangelho, antecipa o dia sem ocaso do Reino.
Jesus proclama que o Filho do Homem é Senhor também do sábado. Esta afirmação revela sua autoridade divina e convida à fé. Reconhecer Cristo como Senhor significa permitir que Ele interprete nossa vida, nossas práticas e nosso tempo. A verdadeira liberdade nasce quando o homem se submete ao senhorio amoroso de Cristo, descobrindo que a lei de Deus não pesa, mas liberta. Somente quem vive unido ao Senhor do sábado aprende a descansar em Deus e a agir segundo sua misericórdia.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho colocado normas e costumes acima da caridade e da misericórdia?
2. Como vivo o domingo: como peso religioso ou encontro libertador com Cristo?
3. Reconheço Jesus como verdadeiro Senhor do meu tempo e da minha vida?
Mensagem Final:
Jesus revela que a Lei existe para servir à vida e conduzir ao amor. O sábado encontra seu sentido pleno no Senhor que liberta e salva. Segui-lo é aprender a viver a obediência como caminho de liberdade, deixando que a misericórdia oriente nossas escolhas. Somente em Cristo o coração encontra repouso verdadeiro e aprende a agir segundo Deus.




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