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O Senhor é meu Pastor: confiança radical em Deus (Sl 23)

há 11 minutos
13 min de leitura
ARTIGO - O SENHOR É MEU PASTOR - SALMO 23Caminho de Fé

INTRODUÇÃO

Há momentos em que os caminhos conhecidos parecem desaparecer. Uma notícia inesperada, a perda de alguém querido ou a incerteza diante do futuro podem revelar quanto desejamos segurança e como nossas forças são limitadas. Nessas circunstâncias, a fé não oferece uma explicação para tudo o que acontece. Ela nos convida, antes, a recordar quem é Deus e a buscar nele o fundamento da esperança.

É nesse horizonte que o Salmo 22(23), numerado como 23 na tradição hebraica e 22 na grega e latina, se torna uma oração próxima da experiência humana. Ao chamar o Senhor de seu Pastor, o salmista expressa a confiança de quem se sabe cuidado e conduzido. A paisagem do poema, porém, não é composta apenas de pastagens e águas tranquilas. Nela também aparecem o vale escuro e os adversários, realidades que não são ignoradas pela fé. Ele oferece palavras para rezar no descanso e na dificuldade, reunindo numa mesma oração a necessidade de sustento, o enfrentamento do perigo e o desejo de viver na presença de Deus. Sua linguagem convida à confiança.

A força dessa oração está na presença daquele que acompanha o caminho. O salmista fala de um Deus que alimenta, restaura, guia e acolhe. Quando a ameaça se aproxima, sua oração se torna ainda mais pessoal: ele se dirige ao Senhor e reconhece que não está abandonado. A confiança nasce, assim, da fidelidade divina, não da certeza de que todos os acontecimentos corresponderão aos seus desejos.

Para os cristãos, esse salmo encontra uma luz particular em Jesus Cristo, que se apresenta como o Bom Pastor e entrega a vida por suas ovelhas. Percorrer suas imagens ajuda a compreender a Providência, a atravessar as provações com esperança e a descobrir, na vida da Igreja, os dons que sustentam a caminhada rumo à casa do Pai.

Jesus, o Bom Pastor, conduz seu rebanho pelas colinas da Judeia, atravessando um vale sombreado em direção a pastagens verdes e águas tranquilas.

O Senhor é meu Pastor: cuidado e direção

A imagem do pastor era familiar ao povo de Israel. Conduzir um rebanho exigia atenção às necessidades dos animais, conhecimento dos caminhos e disposição para protegê-los dos perigos. Ao aplicar essa imagem ao Senhor, o salmo apresenta seu cuidado como uma relação viva. O Deus de Israel não é uma força distante: ele se aproxima de seu povo e o conduz com fidelidade.

Por isso, quando o orante chama o Senhor de seu Pastor, fala pessoalmente a partir de uma experiência que também pertence à comunidade da aliança. A Escritura descreve Deus como aquele que reúne as ovelhas dispersas, procura as perdidas e cuida das feridas (Ez 34,11–16). Isaías emprega a mesma imagem para anunciar o carinho com que ele reúne os cordeiros e conduz o rebanho (Is 40,11).

A tradição latina conserva uma nuance significativa: a Vulgata Clementina emprega uma expressão que destaca o governo do Senhor, enquanto a Nova Vulgata explicita sua ação de apascentar. As duas formulações ajudam a perceber a amplitude da imagem: o Pastor sustenta a vida de seu rebanho e o conduz em direção segura.

A afirmação de que nada faltará deve ser compreendida nesse contexto de confiança. Ela não promete riqueza, saúde permanente ou uma vida protegida de toda necessidade. O próprio salmo conhece o perigo e a presença dos adversários. Sua linguagem confessa que a existência do fiel está nas mãos do Senhor e que, mesmo nas dificuldades, ele pode recorrer à bondade de Deus.

As pastagens e as águas de repouso evocam alimento e descanso. O Senhor conhece a fragilidade de suas criaturas e se ocupa do que sustenta a vida. Pedir o pão de cada dia, como ensina o próprio Jesus, inclui apresentar ao Pai as necessidades concretas. O Catecismo de Trento recorda que essa súplica abrange os bens necessários ao corpo e os auxílios para a vida espiritual.

Reconhecer esses bens como dons não significa ignorar a dor de quem sofre privações. A fome e a pobreza exigem resposta concreta e generosa. Ao rezar pelo pão cotidiano, o cristão é chamado a perceber a necessidade do próximo e a partilhar, conforme suas possibilidades, aquilo que recebeu.

O Pastor também restaura a vida e conduz por caminhos de justiça. A expressão tradicional “restaurar a alma” não precisa ser entendida como cuidado de uma parte isolada da pessoa: ela aponta para o restabelecimento da vida do orante. Deus o reconduz quando está enfraquecido e o chama a caminhar segundo o bem. Sua direção alcança, portanto, a consciência, as escolhas e as relações com os outros.

Essa condução acontece “por causa de seu nome” (Sl 22(23),3): o Senhor age conforme sua própria fidelidade. A segurança do fiel não depende de possuir uma força interior inesgotável, mas de acolher o cuidado divino e responder a ele. As pastagens são uma dádiva, e o caminho justo é também um chamado. Seguir o Pastor significa receber seu auxílio e deixar que sua vontade oriente os passos. Os dons divinos pedem gratidão e uma resposta livre.

O vale escuro: a presença de Deus na provação

A serenidade das primeiras imagens não impede a chegada do perigo. O salmista fala de um vale envolto em sombra, expressão que pode evocar tanto a escuridão profunda quanto a ameaça da morte. Quem reza não afirma que jamais entrará nesse lugar. Afirma que pode atravessá-lo sem entregar a última palavra ao medo, porque o Senhor permanece próximo.

Nesse ponto, a oração se transforma. Antes, o salmista falava de Deus: ele conduz, restaura e guia. Diante do vale, dirige-se diretamente ao Senhor: “tu estás comigo” (Sl 22(23),4). A mudança aproxima o leitor do centro espiritual do poema. A confiança torna-se diálogo, e a dificuldade é colocada diante daquele a quem se pode chamar de “tu”.

Isso não significa que a pessoa de fé esteja obrigada a reprimir a tristeza ou sentir vergonha do medo. O próprio Jesus, no Getsêmani, experimentou angústia e rezou ao Pai antes da paixão (Mt 26,36–46). Sua oração ensina a apresentar a Deus o sofrimento com verdade e a procurar sua vontade mesmo quando o coração está atribulado.

A vara e o cajado completam a imagem do Pastor. São sinais de sua presença atuante: ele protege, orienta e sustenta o rebanho. A tradição espiritual pode reconhecer nessa condução também a correção pela qual Deus chama o fiel à conversão. Seria, porém, indevido concluir que toda enfermidade, perda ou tragédia é castigo por uma falta pessoal.

A Igreja ensina que Deus conduz sua criação pela Providência e, ao mesmo tempo, reconhece a profundidade do problema do mal. O Catecismo lembra que não existe uma resposta rápida e suficiente para cada sofrimento considerado isoladamente (CIC 309). A fé contempla a questão à luz da criação, da liberdade humana, da Encarnação e da redenção realizada por Cristo.

Essa doutrina pede particular cuidado ao falar do sofrimento alheio. Deus não é a causa do mal moral, embora permita que criaturas livres possam agir contra o bem (CIC 311). Uma violência sofrida nunca deve ser justificada como se a pessoa ferida tivesse recebido uma mensagem que precisava decifrar. Diante de quem sofre, a primeira resposta é a proximidade compassiva e o compromisso com a verdade e a justiça.

Por isso, confiar durante a provação não é esperar passivamente que os problemas desapareçam. Pode significar procurar tratamento, pedir conselho, recorrer à família, aceitar ajuda e dar o passo que está ao alcance. Também pode significar rezar sem encontrar muitas palavras. A presença de Deus não elimina a necessidade desses cuidados; ela sustenta a pessoa enquanto os busca e enquanto outros a acompanham.

São Paulo recorda que nem a tribulação nem a morte podem separar os fiéis do amor de Deus manifestado em Cristo (Rm 8,35–39). O apóstolo não nega a realidade dessas ameaças. Sua certeza nasce do amor de Deus revelado no Senhor que morreu e ressuscitou. A esperança pode conviver com lágrimas, perguntas e espera, porque seu fundamento é maior que a própria capacidade de compreender. O fiel pode também pedir a Deus que lhe conceda paciência para cada novo dia.

A mesa preparada e a casa do Senhor

Depois do vale, o salmo apresenta uma nova cena: o Senhor prepara uma mesa para o orante. A imagem já não é a do pastor em campo aberto, mas a de um anfitrião que recebe seu convidado. O cuidado divino aparece como hospitalidade: Deus oferece alimento, acolhe e concede um lugar àquele que se aproxima dele.

Essa mesa é preparada diante dos adversários. Eles não desapareceram da paisagem, mas tampouco determinam a dignidade do convidado. O salmista encontra amparo naquele que o recebe. A imagem permite compreender que a confiança em Deus pode subsistir mesmo quando há oposição, injustiça ou conflitos que ainda não foram resolvidos. Não é necessário atribuir uma identidade precisa aos adversários para compreender a oração. O poema não transforma o sofrimento em espetáculo nem convida o orante a desprezar quem o ameaça. Seu olhar se volta para a fidelidade de Deus, cuja presença lhe permite conservar a dignidade mesmo diante da oposição. A segurança descrita é recebida como dom, não conquistada por autossuficiência.

O óleo derramado sobre a cabeça e a taça abundante completam a cena de acolhimento. No contexto da hospitalidade, evocam honra, alegria e generosidade. São sinais de um cuidado que vai além da simples sobrevivência e manifesta a bondade do anfitrião. Ao comentar o salmo, Bento XVI destaca nessa passagem a oferta de comunhão e amizade expressa pela mesa.

Essa imagem também convida a examinar o modo como o fiel reage à hostilidade. Confiar no Senhor não autoriza alimentar vingança ou tratar a pessoa que nos contraria como inimiga definitiva. A justiça deve ser buscada, assim como a proteção de quem sofre; ao mesmo tempo, o discípulo de Cristo é chamado a rejeitar o ódio e a pedir a graça do perdão.

No versículo final, bondade e misericórdia acompanham o orante. A palavra hebraica frequentemente traduzida por misericórdia, ḥesed, pode expressar a bondade fiel que caracteriza a relação de Deus com seu povo. Não se trata de afirmar que todos os dias serão agradáveis. A oração reconhece que, em cada etapa, o fiel pode voltar-se para o Senhor e confiar em sua fidelidade. Recordar essa fidelidade ajuda o orante a ler sua história sem reduzi-la a um balanço de êxitos e fracassos. A gratidão permanece possível mesmo quando há perguntas que ainda não encontram resposta.

O salmo termina com o desejo de habitar na casa do Senhor por longos dias. No horizonte de Israel, a imagem evoca a presença de Deus e a oração de seu povo, especialmente associadas ao templo. O desejo do orante revela que o fim da caminhada não se reduz à segurança passageira: ele anseia por viver próximo daquele que o acolhe.

A Igreja contempla essa imagem à luz da revelação de Cristo. Sem apagar seu sentido, reconhece nela uma abertura para a esperança da vida eterna. Jesus conduz os seus à comunhão com o Pai, e sua Ressurreição sustenta essa promessa. A espera desse encontro orienta a vida presente e ensina a receber os bens terrenos com gratidão.

Jesus Cristo, o Bom Pastor, e a Igreja

A promessa de Deus de cuidar de seu rebanho percorre toda a Escritura. Diante da infidelidade dos pastores de Israel, o Senhor anuncia que procurará suas ovelhas e suscitará para elas um pastor da linhagem de Davi (Ez 34,11–16.23). Essa promessa prepara a compreensão cristã das palavras de Jesus: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10,11). Na Encarnação, o Filho eterno assumiu verdadeiramente a natureza humana e veio ao encontro da humanidade. Sua proximidade não é apenas uma imagem poética do cuidado de Deus: em Jesus, o amor divino se manifesta numa vida humana concreta. Ele procura os que se afastaram, acolhe os que sofrem e chama à conversão.

Cristo conhece verdadeiramente suas ovelhas, chama-as e elas escutam sua voz (Jo 10,27). Essa relação é pessoal, mas não fecha o discípulo em si mesmo. O chamado de Jesus conduz à comunhão com aqueles que ele reúne. Escutar sua voz significa acolher sua palavra, reconhecer sua autoridade e aprender a segui-lo nas circunstâncias ordinárias da vida.

O sinal maior de seu pastoreio é a entrega da própria vida. Jesus não permanece distante da dor humana: assume nossa condição, enfrenta a paixão e morre na cruz para nossa salvação. Sua Ressurreição abre o horizonte da vida eterna. À luz da Páscoa, o vale da morte não é negado, mas atravessado na esperança daquele que venceu a morte. A entrega de Cristo revela a gravidade do pecado e a grandeza da misericórdia divina. O Pastor vem buscar a ovelha perdida para reconciliá-la com Deus e introduzi-la na vida nova. Sua graça não torna indiferente a resposta do discípulo: chama-o a acolher o perdão, converter-se e perseverar no amor.

A Igreja recebe e transmite essa vida como rebanho de Cristo. O Catecismo ensina que o próprio Senhor continua a guiar e alimentar seu povo, mesmo quando confia a homens o serviço pastoral (CIC 754). Santo Agostinho, ao comentar o salmo, escuta nele a voz da Igreja que reconhece em Cristo seu Pastor. A confiança pessoal, assim, amadurece no interior de uma comunhão.

A tradição cristã também encontrou nas imagens do salmo uma luz para contemplar os sacramentos. As águas, a unção e a mesa podem evocar o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. Essa leitura espiritual nasce da fé da Igreja em Cristo; ela não exige dizer que o salmista descrevia diretamente os sacramentos quando falava do descanso e da hospitalidade do Senhor.

São Cirilo de Jerusalém relaciona a mesa e o cálice do salmo à Eucaristia em sua catequese aos recém-iniciados. Nela, o Senhor oferece à Igreja mais que uma lembrança simbólica: Cristo está verdadeira, real e substancialmente presente sob as espécies eucarísticas (CIC 1374). Alimentados por sua palavra e por seu Corpo, os fiéis recebem força para permanecer no caminho.

A Eucaristia é também o memorial sacramental do único sacrifício de Cristo, tornado presente na celebração da Igreja. O banquete e o sacrifício pertencem ao mesmo mistério: aquele que se entregou por nós oferece-se como alimento e reúne os fiéis em comunhão.

Viver a confiança: esperança, oração e caridade

A confiança cantada pelo salmista alcança, na vida cristã, a profundidade da esperança teologal. Esperamos em Deus porque ele é fiel às suas promessas e nos sustenta com sua graça. O horizonte maior dessa esperança é a vida eterna, a comunhão com o próprio Deus. As aspirações desta vida conservam seu valor, mas são orientadas para esse bem definitivo.

São Tomás de Aquino explica que a esperança se apoia no auxílio divino e tem como objeto principal a felicidade eterna (Suma Teológica, II-II, q. 17, a. 2). Isso não impede o cristão de pedir saúde, trabalho ou paz para sua família. Ensina-o, porém, a apresentar esses desejos ao Pai, reconhecendo que sua vida inteira está chamada a um fim maior.

Essa confiança não dispensa o uso responsável da inteligência. Planejar, trabalhar, procurar orientação e tomar precauções são atitudes compatíveis com a fé. Deus concede às criaturas a dignidade de cooperar com sua Providência (CIC 306–307). O fiel realiza o que lhe compete, revê suas decisões quando necessário e entrega ao Senhor aquilo que não pode controlar. Em uma decisão profissional, essa atitude pode exigir reunir informações, avaliar possibilidades e buscar conselho antes de escolher. Oração e responsabilidade caminham juntas. Confiar em Deus tampouco significa supor que qualquer decisão produzirá o resultado desejado; significa procurar o bem com retidão e acolher a graça de Deus.

A oração dá forma concreta a essa entrega. Ao pedir o pão de cada dia, a pessoa reconhece sua dependência do Pai e apresenta suas necessidades. Pode agradecer pelo que recebeu, pedir perdão pelos desvios e solicitar luz para uma escolha difícil. Mesmo quando parece não encontrar resposta imediata, permanece diante de Deus e aprende a confiar em sua sabedoria.

Há períodos em que rezar parece difícil e a consolação sensível não chega. Isso, por si só, não prova ausência de fé ou abandono divino. Nesses momentos, a perseverança pode assumir formas simples: rezar um salmo, participar da vida da comunidade, procurar orientação espiritual e pedir a outros que intercedam. A confiança cresce também por meio desses gestos discretos.

O cuidado do Pastor chama também à caridade. Quem encontrou amparo é convidado a prestar atenção àqueles que sofrem: um familiar enfermo, alguém que perdeu o emprego ou uma pessoa que enfrenta o luto. A solidariedade não resolve todos os mistérios da dor, mas oferece companhia e ajuda concreta. Na comunidade cristã, ninguém deveria ser deixado sozinho em sua necessidade. A caridade exige respeitar a dignidade de quem recebe ajuda e ouvir suas necessidades. Partilhar tempo, oferecer alimento ou acompanhar uma consulta são maneiras concretas de servir. O amor ao próximo fortalece os vínculos do rebanho que Cristo reúne.

A casa do Senhor permanece diante de nós como horizonte de esperança. Já nesta vida, aproximamo-nos dele pela fé, pela oração, pelos sacramentos e pelo amor ao próximo. Ainda caminhamos entre limites e incertezas, mas a graça nos sustenta. Seguir o Bom Pastor é perseverar nessa relação, esperando a comunhão definitiva que Deus promete àqueles que o amam.

CONCLUSÃO

O Salmo 22(23) conduz o leitor por uma paisagem em que se alternam repouso e ameaça, caminho e acolhimento. Em cada cena, o centro é o Senhor que cuida. As pastagens lembram seus dons; o vale coloca à prova a confiança; a mesa manifesta sua hospitalidade; a casa aponta para a alegria de permanecer junto dele.

Essa oração não nos afasta da realidade. Ela permite reconhecê-la diante de Deus, sem esconder a fragilidade nem imaginar que a fé elimina toda dor. O fiel pode dizer ao Senhor o que teme, pedir auxílio e buscar os meios necessários para enfrentar suas dificuldades. A confiança amadurece quando a pessoa entrega a Deus sua vida e responde ao seu chamado com as escolhas de cada dia.

A confiança é radical porque alcança o fundamento de nossa existência: pertencemos a Deus e somos chamados a viver em sua presença. Não precisamos esperar uma segurança perfeita para começar a segui-lo. Podemos dar hoje, com sua graça, o passo de conversão, de oração ou de caridade que nos é possível, entregando-lhe também aquilo que ainda permanece sem resposta.

Em Jesus Cristo, o Bom Pastor, a Igreja contempla a plenitude desse cuidado. Ele conhece suas ovelhas, oferece-se por elas e, ressuscitado, continua presente em seu povo. Sua palavra ilumina o caminho; os sacramentos comunicam a graça que sustenta a caminhada; a caridade permite reconhecer e servir aqueles que ele nos confia.

Diante do futuro que não conhecemos, podemos renovar, em todas as circunstâncias, a oração do salmista. Nem sempre saberemos por onde o caminho passará ou quanto tempo durará o vale. Sabemos, porém, a quem confiamos nossa vida. Que o Senhor nos conceda ouvir sua voz, permanecer em sua Igreja e caminhar com esperança, até que a comunhão com ele alcance sua plenitude na casa do Pai.

ORAÇÃO DE ENCERRAMENTO

Senhor, meu Pastor, eu te louvo por teu cuidado e pela fidelidade com que conduzes minha vida. Agradeço pelas pessoas, pelo alimento e pelo descanso que recebo de tua bondade. Abre meus olhos para reconhecer sempre tua presença e meu coração para acolher tua vontade em cada passo do caminho.

Quando eu atravessar o vale da tristeza, da enfermidade ou da incerteza, permanece sempre comigo e fortalece minha esperança. Ensina-me a apresentar-te meus medos com confiança e a aceitar a ajuda de que necessito. Concede-me prudência nas escolhas, paciência nas provações e coragem para seguir por teus caminhos de justiça.

Jesus, Bom Pastor, conserva-me unido a ti e à tua Igreja. Alimenta-me com tua palavra e com a graça dos sacramentos; torna-me atento aos que sofrem e generoso no serviço. Conduze-me, com todos aqueles que confias ao teu amor, à alegria de permanecer para sempre na casa do Pai. Amém.

Salmo 22(23)

1 Salmo de Davi. O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

2 Em pastagens verdejantes me faz repousar; para águas de descanso me conduz.

3 Restaura a minha alma; guia-me por veredas de justiça, por causa de seu nome.

4 Ainda que eu ande pelo vale de sombra mortal, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; tua vara e teu cajado, eles me consolam.

5 Preparas diante de mim uma mesa, à vista dos que me hostilizam; unges com óleo a minha cabeça; minha taça transborda.

6 Sim, bondade e misericórdia me seguirão todos os dias de minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

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