Seguir Cristo sem Comparações
- escritorhoa
- há 13 horas
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Liturgia Diária:
Dia 23/05/2026 - Sábado
Evangelho: João 21,20-25
Naquele tempo, Pedro voltou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: “Senhor, quem é que te vai entregar?” Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: “Senhor, o que será deste?” Jesus respondeu: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isso? Tu, segue-me!” Então, correu entre os irmãos o boato de que aquele discípulo não morreria. Jesus não disse que ele não morreria, mas apenas: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?” Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu, e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que o mundo inteiro não poderia conter os livros que deveriam ser escritos.

Reflexão:
Neste Evangelho, após confiar a Pedro a missão pastoral, Jesus o chama novamente: “Segue-me”. No sentido literal, Pedro, ao ver o discípulo amado, pergunta sobre o destino dele. Cristo responde de modo firme: “Que te importa isso? Tu, segue-me!”. O Senhor ensina que cada discípulo possui um caminho particular dentro do plano divino.
No sentido alegórico, Pedro representa a vida ativa da Igreja, enquanto João simboliza a vida contemplativa. Santo Agostinho interpreta que ambos expressam dimensões complementares da vida cristã: o serviço e a contemplação (Tratados sobre João, 124). Assim, a Igreja vive tanto pela missão quanto pela intimidade com Deus.
No sentido moral, este Evangelho nos alerta contra a comparação e a curiosidade excessiva sobre a vida dos outros. Muitas vezes, o coração humano perde tempo olhando o caminho alheio em vez de responder fielmente ao chamado pessoal de Deus. O Catecismo ensina que cada pessoa recebe de Deus uma vocação própria e uma missão particular (CIC, §1878). O essencial é permanecer fiel à própria vocação.
Cristo corrige Pedro com delicadeza, mas também com firmeza. São João Crisóstomo afirma: “Quem segue Cristo deve preocupar-se antes com sua própria fidelidade do que com o destino dos outros” (Homilias sobre João, 89). O discípulo maduro aprende a confiar nos desígnios de Deus sem necessidade de controlar ou compreender tudo.
O Evangelho também confirma a autenticidade do testemunho de João. Ele é a testemunha fiel da vida, morte e ressurreição de Cristo. A fé cristã não se apoia em ideias abstratas, mas no testemunho verdadeiro dos apóstolos.
No sentido anagógico, a frase sobre a permanência do discípulo amado aponta para a esperança da vinda definitiva de Cristo. Toda a Igreja vive aguardando o retorno glorioso do Senhor. O Catecismo de São Pio X ensina que Cristo virá novamente para julgar os vivos e os mortos.
Por fim, o Evangelho termina reconhecendo que as obras de Cristo são inesgotáveis. Nenhum livro poderia conter plenamente sua grandeza.
Assim, o discípulo é chamado a abandonar comparações, confiar nos planos de Deus e seguir fielmente Cristo até o fim.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho me preocupado excessivamente com a vida dos outros, esquecendo meu próprio chamado?
2. Estou seguindo Cristo com fidelidade nas responsabilidades que Deus me confiou?
3. Minha esperança está voltada para a vinda definitiva do Senhor?
Mensagem Final:
Segue Cristo com fidelidade e não desperdices tua vida em comparações ou inquietações sobre o caminho dos outros. Deus possui um plano único para cada alma. Confia em sua vontade e persevera no amor, na oração e na verdade. Caminha com esperança, aguardando o Senhor que virá em glória para conduzir seus fiéis à alegria eterna sem fim.




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