Tempo de conversão e paciência divina
- escritorhoa
- 25 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 25/10/2025 - Sábado
Evangelho: Lucas 13,1-9
“Naquela ocasião, vieram contar a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele respondeu: ‘Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não; mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. Ou pensais que aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu vos digo que não; mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo.’ Contou também esta parábola: ‘Certo homem tinha uma figueira plantada em sua vinha e foi procurar fruto nela, mas não achou. Disse então ao viticultor: ‘Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não encontro. Corta-a! Para que ainda ocupa inutilmente a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano; eu cavarei em volta e lhe colocarei adubo. Pode ser que venha a dar fruto; se não, depois a cortarás.’”

Reflexão:
O Evangelho de hoje une a urgência da conversão à misericórdia paciente de Deus. Jesus rejeita a falsa lógica que associa tragédias a castigos pessoais. No sentido literal, os acontecimentos narrados revelam a fragilidade humana e a necessidade de discernir o verdadeiro mal, que é o pecado. Alegoricamente, a figueira estéril representa Israel — e, em nós, toda alma que recebeu graça e ainda não produz frutos. Moralmente, o viticultor simboliza Cristo, intercessor e cuidador da vinha, que roga tempo e oferece os meios da conversão. No anagógico, a espera divina prenuncia o juízo final, quando cada um será medido pelos frutos do amor.
São Gregório Magno ensina que “o Senhor espera o fruto da alma, mas não espera indefinidamente” (Hom. in Ev. 31). Santo Agostinho comenta: “Deus suporta os maus para que se convertam, mas sua paciência não é eternidade” (Serm. 113). E São João Crisóstomo observa que a intercessão do vinhateiro manifesta a pedagogia da graça, que cultiva com ternura e corrige com firmeza (Hom. in Matth. 43). O Catecismo confirma que o tempo da vida é o tempo da misericórdia e do trabalho pela salvação (CIC 1036), e que a conversão é resposta livre ao amor preveniente de Deus (CIC 1428).
O apelo de Jesus é claro: a verdadeira tragédia é permanecer sem fruto, indiferente à graça. A paciência divina é oportunidade, não complacência. Deus cava em volta da figueira: desperta-nos pela Palavra, pelo sofrimento, pela alegria, pela correção fraterna. O adubo é a graça sacramental, que fecunda o coração. A esterilidade espiritual nasce da rotina sem oração, da fé sem obras e da caridade sem perseverança. O Senhor visita continuamente a vinha e espera encontrar frutos de arrependimento, perdão e serviço.
Hoje celebramos Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, exemplo de alma fecunda. Humilde franciscano, viveu em profunda obediência e caridade, tornando-se instrumento da paz e da cura de muitos. Sua vida demonstra que o Espírito Santo faz florescer o coração dócil e generoso. O discípulo fiel cultiva a graça com perseverança e transforma o tempo em ocasião de amor. Quem se converte, torna-se sinal de esperança e misericórdia no mundo.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Tenho reconhecido os “três anos” de paciência divina e correspondido com frutos de conversão e caridade?
2. Quais terrenos da minha vida precisam ser cavados e adubados pela graça do Senhor?
3. Como posso imitar Santo Antônio de Sant’Ana Galvão em sua humildade e fé operante?
Mensagem Final:
Deus é paciente, mas espera frutos. O tempo presente é graça que pede resposta. A figueira pode florescer se acolher o cuidado divino: oração, penitência, caridade. Santo Antônio Galvão ensina que humildade e serviço fecundam a vida cristã. Converter-se é permitir que o amor transforme a esterilidade em fecundidade. Deus espera, mas convida: frutifica hoje.
Leitura Complementar:
Para aprofundar na vida de Frei Galvão, leia nosso artigo: Santo Antônio de Sant'Ana Galvão: Vida, Obra e Legado do Primeiro Santo Brasileiro




Comentários