Testemunho até o Fim, no Poder do Espírito
- escritorhoa
- 26 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 26/12/2025 – Sexta-feira
Santo Estêvão, protomártir – Festa
Evangelho: Mt 10,17-22
“Tomai cuidado com os homens, porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas sinagogas. Sereis levados diante de governadores e reis por causa de Mim, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados sobre como falar ou o que dizer; naquele momento vos será dado o que haveis de dizer, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão, e o pai, o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os farão morrer. Sereis odiados por todos por causa do Meu nome; mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.”

Reflexão:
Celebrar Santo Estêvão, no dia seguinte ao Natal, parece contraste: depois da ternura do presépio, a dureza do martírio. Porém, a liturgia nos ensina que o Menino nasceu justamente para nos dar a força de amar até o extremo. O Evangelho de hoje recorda que seguir Jesus implica perseguições, incompreensões e, às vezes, enfrentamentos dentro da própria família. Cristo não ilude os discípulos; Ele anuncia a cruz, mas promete a assistência do Espírito.
Estêvão é o primeiro a realizar, de modo pleno, estas palavras do Senhor. Cheio do Espírito Santo, ele testemunha Cristo diante do Sinédrio, vê os céus abertos e o Filho do Homem à direita do Pai. Como Jesus havia anunciado, não é ele quem fala, mas o Espírito do Pai fala nele. São Fulgêncio de Ruspe comenta que “em Estêvão, o amor venceu o ódio, porque ele soube morrer rezando por seus perseguidores” (Sermão 3 sobre Santo Estêvão). Assim, o protomártir mostra que o verdadeiro testemunho nasce de um coração configurado ao de Cristo.
O Catecismo ensina que o martírio é “o testemunho supremo prestado à verdade da fé” (CIC 2473). Nem todos seremos chamados a derramar sangue, mas todos somos chamados a suportar pequenas e grandes contrariedades por causa do nome de Jesus. A promessa final do Evangelho é decisiva: “Quem perseverar até o fim, esse será salvo.” Perseverar não é apenas resistir, mas permanecer no amor, sem devolver mal por mal.
Santo Agostinho lembra que “não é o sofrer que faz o mártir, mas a causa pela qual se sofre” (Sermão 329,1). Sofrer por Cristo é unir-se a Ele, deixando que o Espírito Santo nos fortaleça nas horas difíceis. Em um mundo que busca conforto imediato e evita qualquer sacrifício, Santo Estêvão nos convida a recuperar a coragem cristã: confessar a fé com simplicidade, suportar zombarias, perdoar ofensas, manter a caridade mesmo quando somos rejeitados.
O Natal, unido à festa de Estêvão, ensina que a encarnação não é um conto doce, mas o início de uma batalha de amor. O Menino do presépio é o mesmo Senhor que chama ao testemunho até o fim. Ele não nos deixa sozinhos: o Espírito do Pai falará em nós e nos sustentará, para que sejamos fiéis até o último suspiro.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
Tenho medo de manifestar minha fé por receio de críticas, rejeições ou perseguições veladas?
Em quais situações concretas sou chamado hoje a perseverar por causa do nome de Jesus?
Peço com frequência o auxílio do Espírito Santo para testemunhar Cristo com coragem e caridade?
Mensagem Final:
Santo Estêvão nos mostra que o Natal gera testemunhas, não espectadores. O discípulo de Cristo não vive protegido, mas sustentado pelo Espírito. Diante de incompreensões e rejeições, somos chamados a perseverar, perdoar e amar. Que hoje peçamos a graça de testemunhar Jesus com coragem mansa, palavras inspiradas e coração aberto, até o fim de nossa vida terrena.




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