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Corrigir depois de deixar-se corrigir

há 7 minutos
3 min de leitura

Liturgia Diária:

Dia 11/09/2026 - sexta-feira


Evangelho: Lucas 6,39–42

Jesus lhes contou também uma parábola: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos numa cova? O discípulo não está acima do mestre; todo discípulo bem formado será como seu mestre. Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não percebes a trave que está em teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco que está em teu olho’, se tu mesmo não vês a trave em teu olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho; então enxergarás claramente para tirar o cisco do olho de teu irmão.”

Jesus ensina os discípulos sobre o cisco e a trave, chamando ao discernimento, à humildade e à conversão em Lucas 6,39–42.

Reflexão:

Jesus apresenta imagens simples e penetrantes: um cego guiando outro cego, o discípulo diante do mestre, o cisco no olho do irmão e a trave no próprio olho. Todas convergem para uma mesma exigência: quem deseja ajudar o próximo precisa deixar-se primeiro iluminar e corrigir por Deus. A caridade fraterna não dispensa a verdade, mas exige humildade para que a correção não se transforme em superioridade.

A pergunta sobre o cego adverte especialmente quem assume alguma responsabilidade sobre outros: pais, educadores, catequistas, líderes e todo cristão que aconselha. Não basta ter intenção de conduzir; é preciso conhecer o caminho. São Cirilo de Alexandria, conforme recolhido na Catena Aurea, aplica essa palavra aos discípulos que seriam mestres do mundo: eles necessitavam de uma mente iluminada para não conduzirem outros à queda. O critério continua sendo Cristo. O discípulo não está acima do Mestre; sua perfeição consiste em tornar-se semelhante a ele.

Em seguida, Jesus denuncia a facilidade com que percebemos pequenas faltas alheias enquanto permanecemos lentos para reconhecer as próprias. São Basílio observa, na mesma tradição patrística, como o conhecimento de si é difícil: nossa inteligência percebe rapidamente o defeito do outro e demora diante dos próprios. Isso não significa que nunca possamos corrigir alguém. Jesus diz: “tira primeiro a trave”; depois será possível enxergar claramente para retirar o cisco do irmão. A correção fraterna é legítima quando nasce de conversão, verdade e amor.

O Catecismo ensina que, para evitar o juízo temerário, devemos procurar interpretar favoravelmente, tanto quanto possível, pensamentos, palavras e ações do próximo (CIC 2478). Essa disposição não chama o mal de bem, mas recusa conclusões precipitadas sobre intenções que não conhecemos. Antes de acusar, convém perguntar, compreender, verificar e rezar.

O Evangelho oferece um exame diário muito concreto. Quando uma falha alheia me irritar, devo perguntar: existe em mim algo semelhante? Estou buscando a salvação do irmão ou apenas provar que estou certo? Eu aceitaria receber a mesma correção com que pretendo corrigi-lo? A Confissão sacramental educa justamente esse olhar: diante de Deus, aprendemos a nomear nossos pecados sem desculpas. Quem se deixa curar por Cristo enxerga melhor, fala com menos dureza e pode ajudar o irmão não do alto da soberba, mas a partir da humildade de quem também necessita de misericórdia.

A clareza cristã nasce da purificação interior. Quanto mais reconhecemos nossa dependência da graça, menos prazer encontramos em condenar e mais corrigimos com mansidão.


Pensamentos para Reflexão Pessoal:

1. Que defeito alheio costumo perceber rapidamente, mas talvez exista também, de algum modo, em mim?

2. Quando corrijo alguém, desejo verdadeiramente seu bem ou procuro confirmar minha própria superioridade?

3. Tenho levado regularmente meus pecados à Confissão para aprender a olhar os outros com verdade e misericórdia?


Mensagem Final:

Antes de corrigir o irmão, deixe Cristo iluminar seu próprio coração. Examine suas intenções, reconheça suas faltas e evite julgamentos precipitados. A correção fraterna é verdadeira quando busca salvar, não humilhar. Recorra à Confissão, peça mansidão e aprenda a ouvir. Quem conhece a própria necessidade de misericórdia consegue falar a verdade com maior humildade, prudência, paciência, sinceridade e caridade fraterna.

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