Eu Quero, Fica Purificado
- escritorhoa
- há 3 dias
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Liturgia Diária:
Dia 09/01/2026 – Sexta-feira
Evangelho: Lucas 5,12-16
Estando Jesus numa cidade, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, caiu com o rosto por terra e suplicou: “Senhor, se queres, tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica purificado”. E imediatamente a lepra o deixou. Então Jesus ordenou-lhe que não contasse nada a ninguém, mas fosse apresentar-se ao sacerdote e oferecesse pela purificação o que Moisés havia prescrito, para servir de testemunho. Entretanto, a fama de Jesus se espalhava cada vez mais, e grandes multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, retirava-se para lugares desertos e rezava.

Reflexão:
O Evangelho apresenta o encontro de Jesus com um leproso. No sentido literal, a lepra simboliza exclusão religiosa e social. O homem aproxima-se, prostra-se e suplica: “Se queres, tens o poder de me purificar”. A fé reconhece a soberania da vontade de Cristo. Jesus estende a mão, toca-o e diz: “Eu quero”. O toque rompe o isolamento e restaura a dignidade.
No sentido alegórico, a lepra figura o pecado que desfigura a imagem de Deus no homem. Cristo não teme a impureza; antes, comunica a sua santidade. São Cirilo de Alexandria ensina que “o Senhor toca o impuro para mostrar que sua pureza vence toda corrupção” (Comentário a Lucas, hom. 12). A ordem de apresentar-se ao sacerdote manifesta que a cura conduz à comunhão eclesial e ao culto verdadeiro.
O sentido moral interpela o discípulo. A súplica humilde do leproso é modelo de oração: confiança sem exigência, abandono à vontade divina. Quantas vezes buscamos soluções sem nos prostrar diante de Cristo? O toque de Jesus convida-nos a superar medos e preconceitos, aproximando-nos dos feridos do corpo e da alma. O Catecismo recorda que Cristo “mostra sua compaixão pelos doentes e identifica-se com eles” (CIC, 1503). A caridade cristã prolonga esse gesto.
O sentido anagógico aponta para a purificação definitiva. A cura imediata antecipa a restauração plena prometida na ressurreição, quando toda mancha será removida. O silêncio imposto por Jesus indica que o mistério deve ser acolhido com obediência e humildade, evitando triunfalismos. Contudo, a fama se espalha, mostrando que a misericórdia é irresistível.
Jesus retira-se para lugares desertos e reza. A missão brota da intimidade com o Pai. A Igreja aprende que a ação deve nascer da oração. Este Evangelho ensina que ninguém é impuro demais para Cristo. Quem se aproxima com fé experimenta o “Eu quero” do Senhor e é reintegrado à vida. Curados, somos enviados a testemunhar com vida nova, guardando o coração unido a Deus. Assim, a misericórdia revela o rosto do Salvador e reforma a comunidade. O leproso curado aprende a obedecer, agradecer e viver em comunhão. Também nós, purificados nos sacramentos, somos chamados à fidelidade cotidiana, ao silêncio orante e à caridade concreta. A cura recebida não é posse privada, mas serviço humilde. A santidade cresce quando a graça se transforma em missão perseverante na Igreja e no mundo, para testemunhar Cristo, fonte de vida, esperança e reconciliação permanente entre Deus e a humanidade ferida.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Aproximo-me de Jesus com a humildade confiante do leproso?
2. Quais feridas ainda preciso apresentar ao toque misericordioso de Cristo?
3. Minha vida de oração sustenta minha missão e minhas obras de caridade?
Mensagem Final:
Jesus não teme tocar nossas feridas. Quando nos aproximamos com fé, Ele diz: “Eu quero”. Deixe-se purificar, retorne à comunhão e viva agradecido. Alimente a oração no silêncio e transforme a graça recebida em caridade concreta. Quem foi tocado por Cristo não vive para si, mas testemunha esperança, reconciliação e vida nova ao mundo com humildade, fé perseverante e amor.




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