Hoje se Cumpre a Escritura
- escritorhoa
- há 4 dias
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Liturgia Diária:
Dia 08/01/2026 – Quinta-feira
Evangelho: Lucas 4,14-22a
Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Chegando a Nazaré, onde tinha sido criado, entrou na sinagoga em dia de sábado, como era seu costume. Levantou-se para fazer a leitura e foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abrindo-o, encontrou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”. Todos davam testemunho a seu favor e admiravam-se das palavras cheias de graça que saíam de sua boca.

Reflexão:
Jesus retorna à Galileia na força do Espírito e entra na sinagoga de Nazaré. O sentido literal apresenta um gesto solene: Ele lê Isaías e aplica a profecia a si mesmo. Não anuncia um programa futuro, mas declara: “Hoje se cumpriu”. A Palavra torna-se acontecimento. Deus fala e age no presente.
O texto de Isaías descreve a missão messiânica: boa-nova aos pobres, libertação, cura e graça. Jesus assume plenamente essa missão. São Cirilo de Alexandria afirma que Cristo “recebe a unção não por necessidade, mas para manifestar-se como o Ungido prometido” (Commentarius in Lucam, sermo 12). O Espírito que repousa sobre Ele revela sua identidade e inaugura o tempo da salvação.
No sentido alegórico, Cristo é a Escritura viva. Aquilo que foi anunciado torna-se carne. A sinagoga representa Israel que escuta, e também a Igreja que continua a ouvir. Quando Jesus se senta, postura do mestre, indica autoridade divina. As palavras “cheias de graça” manifestam que a verdade não é fria doutrina, mas dom que transforma. A Lei e os Profetas convergem n’Ele.
O sentido moral interpela o discípulo. Se hoje a Escritura se cumpre em Cristo, ela também deve cumprir-se na vida de quem O segue. O batizado participa da unção do Espírito e é enviado a anunciar, libertar e curar. São Basílio Magno ensina que “o Espírito recebido no Batismo nos consagra para a obra de Deus” (De Spiritu Sancto, XV). A fé não pode permanecer apenas admiração; deve tornar-se missão concreta.
O sentido anagógico abre o horizonte da esperança. O “ano da graça” aponta para a restauração final, quando toda pobreza e opressão serão vencidas. Cada vez que a Palavra é proclamada na liturgia, esse hoje se renova. O tempo presente torna-se lugar de encontro com Deus e antecipação do Reino definitivo.
O Evangelho mostra que a presença de Jesus provoca admiração, mas também decisão. Escutar a Palavra exige acolher sua exigência. Cristo continua a proclamar a boa-nova na Igreja, especialmente aos pobres de coração. Quem reconhece o hoje da salvação permite que o Espírito transforme sua história. Assim, a Escritura deixa de ser apenas texto antigo e torna-se vida que liberta, cura e conduz à comunhão plena com Deus.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Reconheço o “hoje” de Deus atuando na minha vida?
2. Como tenho vivido a unção do Espírito recebida no Batismo?
3. De que forma a Palavra proclamada na liturgia transforma minhas atitudes diárias?
Mensagem Final:
Jesus proclama que a Escritura se cumpre hoje. A salvação não é promessa distante, mas graça presente. Escute a Palavra com fé, deixe-se ungir pelo Espírito e acolha a missão que nasce do Batismo. Quando a Palavra é recebida com docilidade, ela liberta, cura e transforma o tempo comum em ano da graça do Senhor.




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