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Não fugir da palavra da Cruz

há 5 minutos
3 min de leitura

Liturgia Diária:

Dia 26/09/2026 - Sábado


Evangelho : Lucas 9,43b–45

Naquele tempo, enquanto todos se admiravam de tudo o que Jesus fazia, ele disse aos discípulos: “Guardai bem estas palavras em vossos ouvidos: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens”. Eles, porém, não compreendiam essa palavra. Seu sentido permanecia oculto para que não o percebessem, e tinham medo de perguntar-lhe a respeito dela.

Jesus cura um jovem diante dos discípulos, em uma cena de compaixão e fé ambientada na Galileia.

Reflexão:

Todos ainda estão admirados com o que Jesus faz, mas o Senhor dirige os discípulos para uma verdade que eles não querem compreender: o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens. O contraste é forte. Enquanto a multidão se encanta com a grandeza de seus feitos, Jesus fala de humilhação e sofrimento. A revelação cristã não permite separar os milagres da Cruz, nem a glória do caminho pascal.

Os discípulos não entendem a palavra, e o sentido lhes permanece velado. Além disso, têm medo de perguntar. Esse medo é espiritualmente revelador. Muitas vezes também preferimos uma fé que consola sem nos confrontar. Quando o Evangelho toca no sofrimento, na renúncia, no perdão difícil ou na necessidade de conversão, podemos evitar aprofundar o que Cristo está dizendo. A incompreensão torna-se então não apenas intelectual, mas moral: existe algo em nós que resiste ao caminho do Senhor.

Jesus, porém, não abandona os discípulos por causa de sua lentidão. Ele continua ensinando-os. A pedagogia divina é paciente. Deus revela, corrige, espera, retoma e conduz. A graça não dispensa nosso esforço de compreender e obedecer, mas sustenta esse esforço. Por isso, quando uma palavra do Evangelho nos parece exigente, a resposta adequada não é fugir, mas permanecer diante de Cristo e pedir luz.

A expressão “será entregue” aponta para a paixão, mas também deixa entrever o mistério da entrega voluntária do próprio Jesus. Ele sofre a violência dos homens sem deixar de cumprir livremente a vontade do Pai. Sua obediência transforma a aparente derrota em instrumento de redenção. A Cruz não é acidente fora do plano divino; é o lugar em que o amor obediente de Cristo vence o pecado.

Para o discípulo, isso significa aprender a reconhecer Deus também quando não compreende imediatamente seus caminhos. A fé não é cegueira irracional; é confiança naquele que já se revelou fiel. Há momentos em que entendemos depois aquilo que, no presente, apenas podemos acolher com humildade.

Hoje, a passagem nos convida a fazer a pergunta que os discípulos temeram fazer. Podemos dizer: “Senhor, explica-me tua palavra e converte meu coração”. Quem permanece junto de Cristo descobre que até a Cruz, iluminada pela Ressurreição, pode tornar-se escola de fé, esperança e amor.

A tradição da Igreja insiste que não existe cristianismo sem o Crucificado. Contemplar Jesus entregue ensina a aceitar sacrifícios inevitáveis sem desespero e oferecer cada prova em união com seu amor redentor.


Pensamentos para Reflexão Pessoal:

1. Que ensinamento exigente de Cristo tenho evitado compreender porque sei que ele pede mudança?

2. Diante de sofrimentos inevitáveis, procuro unir-me a Cristo ou cedo rapidamente à revolta e ao desânimo?

3. Tenho coragem de perguntar ao Senhor, na oração, aquilo que ainda não consigo compreender?


Mensagem Final:

Quando não compreender os caminhos de Deus, não fuja de sua Palavra. Aproxime-se de Cristo, pergunte, reze e permaneça. Hoje, escolha uma dificuldade que você tem evitado e coloque-a diante do Senhor com confiança. Peça luz para compreender o que for possível, força para obedecer no presente e esperança para esperar o sentido que talvez só apareça mais adiante plenamente.

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