O amor de Cristo diante da recusa de Jerusalém
Liturgia Diária:
Dia 29/10/2026 - quinta-feira
Evangelho: Lucas 13,31–35
Naquela hora, alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: “Sai e vai embora daqui, pois Herodes quer matar-te”. Ele lhes respondeu: “Ide dizer àquela raposa: ‘Eis que expulso demônios e realizo curas hoje e amanhã, e no terceiro dia levarei minha obra à consumação’. Entretanto, é necessário que eu prossiga meu caminho hoje, amanhã e no dia seguinte, pois não convém que um profeta morra fora de Jerusalém. “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir teus filhos, como a ave reúne sua ninhada debaixo das asas, e não quisestes! Eis que vossa casa vos será deixada. Eu vos digo: não me vereis até que venha o tempo em que direis: ‘Bendito aquele que vem em nome do Senhor!’”

Reflexão:
Alguns fariseus avisam Jesus de que Herodes deseja matá-lo. A ameaça introduz um momento de tensão na caminhada em direção a Jerusalém. O Senhor, porém, não abandona sua missão por medo do governante. Sua resposta demonstra liberdade interior e firmeza diante do perigo. A referência aos dias seguintes e à consumação de sua obra expressa a direção determinada de seu ministério; não deve ser reduzida a um cronograma literal destinado a calcular a data exata dos acontecimentos.
Jesus continua a expulsar demônios e a realizar curas. Essas obras testemunham a chegada da misericórdia divina e antecipam a vitória sobre o mal. O caminho para Jerusalém conduz ao mistério da Paixão, no qual a entrega de Cristo levará à plenitude o desígnio de salvação. O Catecismo recorda que o desejo de cumprir a vontade redentora do Pai anima toda a existência de Jesus (CIC 607). A ameaça de morte não modifica sua obediência amorosa.
O lamento sobre Jerusalém revela uma dimensão especialmente comovente do Evangelho. Jesus não fala da cidade com satisfação diante de sua resistência. Ele lamenta a recusa de acolher aqueles que Deus enviou. A imagem da ave que reúne seus filhotes sob as asas expressa proteção, proximidade e solicitude. O contraste está na vontade de Cristo de reunir e na recusa de quem não aceita essa aproximação. A advertência tem seriedade profética, mas sua tonalidade permanece marcada pelo amor que deseja salvar.
A liberdade humana aparece aqui em sua grandeza e em seu risco. A graça chama, ilumina e sustenta, mas a resposta pode ser recusada. Deus não deixa de ser misericordioso quando denuncia essa resistência. Sua justiça e seu amor não se contradizem. A cidade santa, centro da memória religiosa de Israel, torna-se símbolo dramático de uma possibilidade presente em qualquer época: possuir muitos sinais da proximidade de Deus e permanecer fechado à sua visita.
As asas recordam os salmos e o amparo divino. Jesus retoma essa figura da oração de Israel e a emprega para revelar sua solicitude por aqueles que resistem ao convite da salvação.
A aclamação final aponta para o reconhecimento daquele que vem em nome do Senhor. A Igreja lê essa esperança à luz do mistério pascal, sem apagar o sentido histórico do lamento dirigido a Jerusalém. A fidelidade de Cristo persevera mesmo diante da rejeição, e sua misericórdia continua a chamar à comunhão todos aqueles que acolhem a verdade de sua Palavra.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. De que maneiras resisto à Palavra de Deus mesmo conhecendo seu chamado?
2. Como posso demonstrar constância na fé diante de pressões ou incompreensões?
3. Consigo perceber na oração o desejo de Cristo de reunir-me junto dele?
Mensagem Final:
Cristo segue seu caminho com coragem e contempla Jerusalém com amor, apesar da resistência de seus habitantes. Seu lamento revela o desejo divino de reunir, proteger e salvar. Hoje, acolha uma exigência do Evangelho que tem evitado e apresente ao Senhor suas resistências. A misericórdia continua a chamar, e a fidelidade de Cristo permanece maior que nossas hesitações humanas passageiras.




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