O Filho do Homem é Senhor do sábado
- escritorhoa
- 6 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Liturgia Diária:
Dia 06/09/2025 - sábado
Evangelho: Lucas 6,1–5
Tradução própria
Num sábado, passava Jesus por entre as searas; seus discípulos colhiam espigas, esfregavam-nas com as mãos e comiam.
Alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido no sábado?”.
Jesus respondeu-lhes: “Não lestes o que fez Davi, quando teve fome ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus, tomou os pães da proposição, que não é lícito comer senão aos sacerdotes, comeu-os e deu também aos que estavam com ele?”.
E dizia-lhes: “O Filho do Homem é Senhor do sábado”.

Reflexão:
Jesus caminha pelos campos num sábado; os discípulos colhem espigas, esfregam-nas e comem. Os fariseus contestam. Ele recorda Davi, que, necessitado, comeu os pães da proposição com seus companheiros; e conclui: “O Filho do Homem é senhor do sábado”. No sentido literal, Lucas sublinha que a lei do repouso, querida por Deus, deve servir à vida; a necessidade do homem não viola a santidade do dia, quando se trata de preservar a vida e caminhar com Deus. O exemplo de Davi explica que a economia da salvação avança por misericórdia e sabedoria, não por legalismo cego. Na Catena Aurea, os Padres observam que Cristo não abole a Lei, mas revela o seu coração: Ele, Autor e intérprete, conduz ao sentido pleno.
No sentido alegórico, o sábado indica o descanso definitivo em Deus e a nova criação trazida por Cristo. Ao se declarar Senhor do sábado, Jesus manifesta sua divindade e sua autoridade sobre o tempo; n’Ele, o repouso toma corpo, tornando-se comunhão. O Catecismo ensina que o domingo, memorial da Ressurreição, cumpre o sábado e estabelece o ritmo da vida cristã, centrado na Eucaristia e na caridade (CIC 2174–2185).
No sentido moral, aprendemos discernimento: evitar tanto o laxismo que banaliza o culto quanto o rigorismo que oprime as consciências. Obra de necessidade, de misericórdia e de culto possuem primazia nos dias santos. Guardar o domingo pede santificar o tempo com Missa, descanso digno, família, obras de caridade, evitando aquilo que impede o culto e a alegria comum. São João Crisóstomo recorda que a lei serve ao homem renovado pela graça, não para sufocá-lo (Hom. 39, In Matthaeum).
No sentido anagógico, o descanso aponta para a Páscoa eterna. Caminhar com Jesus “pelas searas” é deixar-se conduzir para além do cálculo, alimentando-se do grão da Palavra. Maria, “arca da nova aliança”, nos ensina a recolher e saborear as espigas do Evangelho, sem escrúpulos nem indiferença, mas com amor obediente. A Igreja, como mestra, orienta nossas escolhas concretas, preservando a liberdade dos filhos, para que o tempo se torne liturgia.
Concretamente, façamos do próximo domingo uma celebração mais consciente: preparemos a Missa, desliguemos excessos, pratiquemos uma obra de misericórdia, cultivemos encontros serenos. Em tudo, confessemos com alegria: Cristo é Senhor, e nele o nosso descanso floresce. Respeitemos o trabalho necessário, apoiemos quem precisa repousar, e façamos do lar um pequeno santuário de louvor, silêncio e amizade, onde a caridade organiza bem o tempo.
Pensamentos para Reflexão Pessoal:
1. Meu modo de guardar o domingo expressa amor a Deus e cuidado pela vida?
2. O que devo ajustar entre culto, descanso, família e caridade para honrar o Senhor do tempo?
3. Como posso alimentar-me melhor da Palavra para discernir sem laxismo nem escrúpulos?
Mensagem Final:
Jesus, Senhor do sábado, nos liberta do rigorismo e do desleixo. Santifiquemos o domingo com Missa, descanso digno, família e caridade. A obra necessária e misericordiosa honra a Deus. Alimentados pela Palavra, caminhemos com Cristo, fazendo do tempo lugar de louvor. Com Maria, aprendamos a servir com alegria e repousar no amor que salva. Sejamos discípulos livres, misericordiosos e fiéis.




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