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O Sinai e o Decálogo: a lei que liberta e conduz à santidade (Ex 19–20)

ARTIGO - O SINAI E O DECÁLOGOCaminho de Fé

INTRODUÇÃO

Há palavras que, à primeira vista, parecem estreitar a vida. “Mandamentos”, por exemplo, soam a muitos como uma coleção de proibições. Entretanto, a narrativa do Sinai mostra o contrário: Deus dá a Lei precisamente depois de dar a liberdade. Em Êxodo 19–20, Israel chega ao pé da montanha não como um povo qualquer, mas como um povo resgatado: o Senhor o arrancou “da casa da servidão” e o conduziu até si. A partir daí, a Aliança não é um contrato frio; é comunhão, pertença e caminho.

O Sinai é o lugar onde a liberdade aprende a respirar. A teofania — nuvem, fogo, trombeta e tremor — não é teatro religioso, mas pedagogia do sagrado: Deus educa o coração para o temor santo, isto é, para a reverência amorosa que impede a fé de virar banalidade. Nesse clima de adoração, o Decálogo surge como palavra ordenadora, escrita para proteger o homem do retorno aos ídolos e às violências que o escravizam por dentro.

A Igreja, desde os Padres até os catecismos, sempre leu esses mandamentos como expressão do amor: primeiro a Deus, depois ao próximo, sem separação. E, na plenitude dos tempos, Cristo não aboliu essa Lei; Ele a cumpriu, levando-a da letra ao coração e dando, pelo Espírito, a força para vivê-la como caridade.

Nesta reflexão, contemplaremos o chamado do Sinai, a unidade do Decálogo e sua atualidade na vida cristã, para que cada leitor descubra que a Lei de Deus não diminui a alegria: ela a guarda, como se guarda uma chama do vento, até que se torne luz firme no cotidiano. Ao escutar de novo o “Eu sou o Senhor teu Deus”, seremos convidados a rever escolhas, ordenar desejos e reconhecer que a verdadeira liberdade não é fazer tudo, mas amar bem, sustentados pela graça do alto sempre.

Monte Sinai em silhueta ao entardecer; Moisés em primeiro plano segura tábuas da Lei, com Israel ao longe, evocando Aliança e Decálogo.

2. O DECÁLOGO NO SINAI: CAMINHO DE LIBERDADE NA ALIANÇA

2.1 Deus convoca e consagra: a Aliança no Sinai

Antes que o Decálogo seja proclamado, o Senhor faz do Sinai uma escola de identidade. Em Êxodo 19, Deus não começa com exigências, mas com memória: “Vós vistes o que fiz aos egípcios e como vos trouxe sobre asas de águia”. A moral bíblica nasce de um fato salvífico: fomos libertos; por isso, podemos viver como livres. Aqui aparece a lógica católica da vida moral: a graça precede, a resposta segue. Não é pelagianismo, como se a santidade brotasse apenas do esforço, nem antinomismo, como se a graça dispensasse a obediência; é Aliança, isto é, comunhão que compromete.

O chamado, além disso, não é meramente individual. Deus reúne um povo e lhe dá nome: “minha propriedade”, “reino de sacerdotes” e “nação santa”. A eleição não é privilégio fechado, mas missão: um povo separado do pecado para oferecer a Deus o culto verdadeiro e, assim, testemunhar diante das nações. Por isso, antes da Lei, vem a consagração: lavar as vestes, preparar-se, guardar limites ao redor do monte. O “não tocar” não indica distância fria, mas reverência; o Santo se aproxima sem ser banalizado. O temor do Senhor — entendido como respeito amoroso — educa o coração e o protege da idolatria, que sempre tenta substituir Deus por algo manipulável.

Moisés sobe e desce como mediador, levando a palavra de Deus ao povo e a resposta do povo a Deus. A Tradição cristã reconhece aqui uma figura do único Mediador, Cristo, que nos introduz na Aliança nova e escreve a Lei no coração pelo Espírito. Assim, o Sinai já aponta para a vida sacramental: Deus não apenas ordena; Ele consagra, dá forma e sustenta por dentro aquilo que pede por fora.

Por isso os catecismos insistem que os mandamentos são resposta à libertação: Deus “primeiro salva, depois manda”, para que o homem não retorne ao Egito do pecado. O Catecismo Romano ensina que a Lei de Deus ordena a vida ao fim último e revela o que agrada ao Criador; São Pio X recorda, com simplicidade luminosa, que amar a Deus implica guardar seus preceitos.

Na prática, o Sinai nos convida a recuperar a seriedade amorosa da fé: aproximar-se de Deus com coração purificado, sem familiaridade irreverente, e reconhecer onde a nossa suposta liberdade se tornou dependência; quando fazemos essa passagem do “eu me basto” para o “eu pertenço ao Senhor”, a obediência deixa de parecer um jugo e começa a ser vivida como caminho de liberdade, porque nasce da gratidão de quem foi tirado da escravidão.

2.2 A teofania e o temor santo: Deus educa o coração

No Sinai, Deus não apenas fala: Ele se manifesta. Trovões, relâmpagos, nuvem espessa, som de trombeta, fogo e tremor do monte compõem a teofania (Ex 19,16-20), isto é, uma revelação que envolve os sentidos para conduzir a alma. O Senhor conhece a fragilidade do homem recém-liberto: quem saiu do Egito traz ainda no coração hábitos de servidão e imagens confusas do divino. Por isso, Deus “educa” com sinais que impressionam, não para alimentar curiosidade, mas para curar a banalização e formar a verdadeira atitude religiosa: a reverência.

Esse cenário tem uma intenção espiritual muito concreta. O Sinai ensina que Deus é próximo sem deixar de ser Deus. A nuvem vela para que o povo não reduza o Mistério à medida humana; o fogo purifica para que a aproximação não se torne presunção; a trombeta convoca para que a fé seja resposta, não mera opinião. A Escritura chama isso de “temor do Senhor”: não pavor servil, como o medo que encolhe e foge, mas temor santo, isto é, respeito amoroso diante da Majestade que salva. É o temor que protege a aliança, porque impede que o coração transforme Deus em ídolo — e ídolo é sempre um “deus” que eu controlo.

Por isso o povo treme e, ao mesmo tempo, é atraído. Há um paradoxo pedagógico: o Santo provoca temor e confiança, porque sua santidade não é ameaça para quem quer a verdade, mas remédio para quem deseja ser purificado. São João Crisóstomo observa, em seu espírito pastoral, que Deus muitas vezes nos conduz por passos, acomodando-se à nossa condição para elevar-nos; o Sinai é um desses passos, onde a comoção externa desperta a escuta interior. E é precisamente a escuta — “ouvir” antes de “fazer” — que inaugura a obediência bíblica: a Lei não começa como discussão, mas como acolhida da Palavra.

Assim, a teofania do Sinai prepara também a inteligência litúrgica da Igreja: não estamos diante de um encontro comum, mas de uma presença que pede silêncio, adoração e verdade de vida. Quando o cristão recupera o temor santo, ele descobre que reverência não é frieza, e sim amor que sabe com Quem está falando; então a oração deixa de ser apressada e a participação na Missa deixa de ser rotina, porque o coração aprende, pouco a pouco, a entrar na presença de Deus com humildade, gratidão e desejo sincero de conversão.

2.3 O Decálogo em duas tábuas: amar a Deus e ao próximo

Quando o Senhor entrega o Decálogo, Ele não o faz como quem impõe um código arbitrário, mas como quem dá forma à liberdade recém-nascida. A própria introdução é decisiva: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Ex 20,2). Antes de qualquer preceito, há uma identidade e uma história: Deus se revela como Libertador e, por isso, seus mandamentos não são a volta a uma escravidão religiosa, mas o caminho para não retornar às correntes antigas. A Lei começa com a graça lembrada; e, por isso, a obediência cristã nunca deve soar como “pague para ser amado”, e sim como “aprenda a viver como filho”.

A tradição da Igreja lê o Decálogo como uma unidade ordenada em “duas tábuas”, não para separar Deus da vida humana, mas para mostrar a fonte de toda moral. Na primeira tábua, o Senhor guarda o primado de Deus: “não terás outros deuses” é o fundamento de toda liberdade interior, porque o homem sempre acaba servindo aquilo que adora. Ídolos antigos tinham nome e estátua; os de hoje são mais discretos, mas igualmente exigentes: dinheiro, prazer, poder, ideologia, imagem, ego. O mandamento sobre o Nome de Deus protege o mistério do louvor e a verdade do coração, impedindo que a palavra sagrada seja usada para mentir, manipular ou profanar; quem honra o Nome aprende também a honrar a verdade. E o mandamento do dia santo, nascido no horizonte do sábado, revela que o homem não é uma máquina: ele precisa parar para reconhecer que a vida vem de Deus. A fé cristã verá nisso a preparação para o Domingo, dia do Senhor ressuscitado, no qual o descanso se torna culto e o culto se torna fonte de caridade.

Na segunda tábua, Deus guarda o próximo, porque o próximo é imagem de Deus. Honrar pai e mãe não é apenas uma regra doméstica: é o alicerce da ordem humana, a escola primeira de gratidão, autoridade e responsabilidade. Não matarás protege a vida em todas as suas etapas e denuncia a violência que começa antes do golpe, quando o coração se entrega ao ódio e ao desprezo. Não cometerás adultério, com o olhar purificado pela fé, defende a dignidade do corpo e o sentido nupcial da existência; e o mandamento que proíbe cobiçar a mulher do próximo revela que a pureza não é só comportamento exterior, mas guarda do desejo. Não furtarás e não cobiçarás os bens do outro protegem a justiça e a liberdade do coração: a cobiça escraviza por dentro e, quando amadurece, gera injustiça por fora. E não levantar falso testemunho coloca a verdade como coluna da convivência: sem verdade, a justiça se torna impossível e a caridade vira sentimento sem firmeza.

Visto assim, o Decálogo não é um conjunto de “dez nãos” desconexos, mas dez cercas de misericórdia que protegem a vida, a comunhão e a esperança. Ele toca o culto e o cotidiano, o corpo e a palavra, o gesto e o desejo, porque Deus quer o homem inteiro. Santo Tomás ajuda a perceber que aqui resplandece também a lei natural, iluminada e confirmada pela Revelação: não se trata de capricho religioso, mas de verdade sobre o bem humano, assumida por Deus e entregue ao seu povo. E, ao mesmo tempo, a Igreja ensina que essa Lei encontra sua plenitude em Cristo: o Senhor não a destrói, mas a leva ao coração, mostrando que o cumprimento verdadeiro é a caridade, aquela caridade que nasce do Espírito e transforma o “devo” em “quero”, sem reduzir a exigência, mas mudando a raiz.

Por isso, a aplicação espiritual do Decálogo não é moralismo nem autojustificação, e muito menos indiferença: é deixar-se conduzir, com humildade, por uma Palavra que ilumina e cura. Quando o cristão acolhe os mandamentos como expressão do amor — primeiro a Deus, depois ao próximo, e sempre com o coração inteiro — ele percebe onde sua liberdade está sendo roubada por ídolos, desculpas ou hábitos, e passa a desejar uma vida mais verdadeira; assim, a consciência se torna mais lúcida sem se tornar dura, e a fidelidade deixa de ser apenas “evitar pecados” para se tornar um caminho positivo de adoração, justiça, pureza e verdade, vivido sob a graça de quem nos tirou da servidão.

2.4 Lei de liberdade: da letra ao coração, pela graça

Chamar o Decálogo de “lei de liberdade” parece paradoxal para a mentalidade moderna, que associa liberdade à ausência de vínculos. Contudo, na Escritura, a liberdade não é um vazio, mas uma direção: é ser arrancado da servidão para aprender a viver segundo a verdade. Por isso, Deus liberta Israel do Egito e, no Sinai, entrega uma Lei que impede o retorno às antigas correntes. Sem a verdade do bem, a liberdade se torna instinto; e o instinto, cedo ou tarde, vira tirania. A Lei, então, não é inimiga da vida: é o trilho que protege o caminho, para que o coração não se perca em atalhos que parecem fáceis, mas terminam em escravidão.

Ao mesmo tempo, a Igreja sempre ensinou que a Lei, por si só, não salva. Ela é santa e boa, mas encontra a fraqueza do homem ferido pelo pecado. Aqui se revela a pedagogia divina: a Lei ilumina, denuncia o mal, educa a consciência, e assim prepara a alma para acolher a graça. Santo Agostinho exprime essa dinâmica ao mostrar que Deus ordena para que peçamos, e dá para que possamos: a exigência revela nossa necessidade do Médico; a graça, porém, não elimina a exigência, mas a torna possível por dentro. Por isso, não se pode cair no legalismo, que tenta transformar o cumprimento em autojustificação, como se a obediência fosse moeda para comprar Deus; nem no antinomismo, que usa a palavra “graça” para relativizar os mandamentos, como se a amizade com Cristo dispensasse a conversão.

Em Cristo, essa “lei de liberdade” chega ao seu cume. O Senhor não revoga o Decálogo: Ele o cumpre e o aprofunda, levando-o da letra ao coração. A Lei nova não é uma lista alternativa, mas o mesmo bem moral elevado e interiorizado pelo Espírito Santo, que derrama a caridade e cura a raiz do agir. São Tomás de Aquino dirá que o centro da Lei nova é a graça do Espírito que nos move a amar; e justamente por isso a moral cristã é, ao mesmo tempo, mais exigente e mais possível: mais exigente, porque alcança intenções e desejos; mais possível, porque não depende apenas de esforço humano, mas de uma vida sustentada pela graça, especialmente na oração e nos sacramentos.

Assim, o Decálogo deixa de ser percebido como uma cerca externa e passa a ser reconhecido como expressão do amor que ordena a vida. Quando o cristão compreende que Deus não manda para humilhar, mas para libertar, ele aprende a ler seus limites como proteção e sua correção como misericórdia; e, sustentado pela Confissão e pela Eucaristia, começa a experimentar que obedecer não é perder autonomia, mas ganhar inteireza, porque o coração, purificado e fortalecido, já não precisa negociar com o pecado para se sentir vivo, e encontra alegria em querer aquilo que Deus quer.

2.5 Síntese patrística: a Lei, a graça e a caridade

Os Padres da Igreja contemplam o Sinai como medicina da liberdade: a Lei é santa, mas o coração ferido precisa de cura para vivê-la. Por isso, eles não separam Lei e graça: a Lei indica o caminho, a graça sustenta, e a caridade é o fim. O Catecismo Romano recorda que Deus não manda para oprimir, mas para conduzir ao fim último; e São Pio X resume: quem ama a Deus guarda mandamentos.

Santo Agostinho ensina que o mandamento revela nossa pobreza e nos leva à oração humilde. A Lei mostra a ferida; a graça, em Cristo, dá o remédio. Daí sua célebre súplica: Deus ordena para que peçamos, e dá para que possamos, porque o cumprimento verdadeiro nasce do amor derramado no coração.

São João Crisóstomo adverte contra a obediência de fachada. O Decálogo não foi dado para produzir vaidade religiosa, mas conversão concreta. O pecado começa dentro; por isso, a fidelidade deve descer às intenções, às palavras e aos hábitos diários. A misericórdia não diminui a exigência: torna-a praticável, ensinando a reparar e a perdoar.

São Tomás de Aquino sintetiza com precisão: a lei antiga prescreve e prepara; a lei nova é a graça do Espírito Santo que move interiormente. A caridade, forma de todas as virtudes, cumpre o Decálogo: amar a Deus ordena o desejo; amar o próximo por Deus ordena as obras. Assim, a liberdade não é ausência de norma, mas capacidade de escolher o bem com alegria.

Na vida espiritual, essa síntese nos livra do moralismo e da desculpa fácil. O Decálogo torna-se luz para a consciência e convite à caridade. Quando um mandamento lhe parecer “difícil”, leve-o a Cristo na oração e nos sacramentos, pedindo que o Espírito transforme o dever em amor, para que a obediência seja caminho de paz e verdadeira liberdade.

2.6 Hoje na Igreja: liturgia, sacramentos e vida moral

O Sinai não é um episódio distante, guardado numa vitrine bíblica: ele se prolonga na vida da Igreja como escola permanente de adoração e de liberdade. A liturgia cristã retoma a pedagogia do “temor santo” e a eleva à intimidade filial. No Domingo, dia do Senhor ressuscitado, o povo de Deus é convocado não apenas a “cumprir um preceito”, mas a entrar no descanso que vem da vitória de Cristo e a aprender, semana após semana, que a verdadeira liberdade nasce do culto: colocar Deus em primeiro lugar para que todo o resto reencontre ordem e paz. Assim, a assembleia dominical é, por assim dizer, o “Sinai” cotidiano do cristão, onde a Palavra forma a consciência e o coração se reorienta.

Também os sacramentos mostram que a Lei é vivida “por dentro”. Pelo Batismo, entramos na Aliança nova e recebemos um princípio de vida que não é mera disciplina externa, mas graça que transforma. Na Eucaristia, o próprio Cristo se dá como alimento e fortalece a caridade, que é o cumprimento da Lei; e na Penitência, quando a liberdade se rompe pelo pecado, Deus não nos devolve um “código”, mas a reconciliação que cura e restaura a amizade. Por isso, a moral cristã não é um projeto solitário: ela é sustentada por uma vida sacramental e por uma catequese que forma a consciência à luz do Decálogo, sem relativismo e sem dureza.

Na prática, a Igreja nos ensina a deixar que o culto molde a vida: quando a participação na Missa se torna fonte real de conversão, quando a Confissão é acolhida como medicina e não como humilhação, e quando o exame de consciência deixa de ser escrúpulo para virar olhar humilde diante de Deus, o Decálogo passa a ser experimentado como um caminho de liberdade concreta, porque o coração aprende a escolher o bem com alegria e a recomeçar com esperança.

 

CONCLUSÃO

Chegando ao fim, voltamos ao primeiro gesto de Deus: Ele tira seu povo da servidão e o conduz ao Sinai para lhe dar uma forma de vida. A Aliança mostra que a liberdade não é um salto no escuro, mas um caminho iluminado. A teofania educa o coração para a reverência; o Decálogo organiza a existência em duas direções inseparáveis — adorar a Deus e amar o próximo — e, assim, protege o homem do retorno aos ídolos, à violência e à cobiça que o desfiguram. Lida à luz da Tradição, a Lei não aparece como concorrente do Evangelho, mas como sua preparação e seu contorno.

Em Cristo, essa “lei de liberdade” alcança a plenitude: Ele cumpre o que ensina, revela a raiz das escolhas e derrama o Espírito que torna possível obedecer por amor. Por isso, a vida moral cristã não é um projeto de autoaperfeiçoamento, nem um relaxamento complacente, mas cooperação humilde com a graça. Quando a Igreja proclama a Palavra, convoca ao Domingo, oferece a Penitência e alimenta com a Eucaristia, ela prolonga o Sinai no tempo, formando consciências e fortalecendo a caridade.

Que esta passagem desperte em nós um desejo simples e decisivo: voltar ao Senhor com sinceridade, deixando que seus mandamentos iluminem as escolhas e curem as duplicidades. Onde houver idolatria, que renasça a adoração; onde houver mentira, que floresça a verdade; onde houver dureza, que cresça a caridade. Assim, a Lei, longe de ser peso, se revela como dom: um caminho de liberdade real, sustentado pela graça, no qual o coração aprende a querer o bem e a perseverar nele com firmeza e esperança.

 

ORAÇÃO DE ENCERRAMENTO

Senhor Deus, que nos tiraste da casa da servidão e nos conduziste ao Sinai, faze-nos recordar tua misericórdia antes de todo mandamento. Dá-nos o temor santo que reverencia tua presença e a alegria de pertencer-te como povo santo.

Escreve tua Lei em nosso coração pelo Espírito de teu Filho. Purifica nossos desejos, também nas escolhas e pensamentos diários, cura nossas palavras, fortalece nossa fidelidade no culto e na vida familiar, e ensina-nos a amar o próximo com verdade, justiça e pureza, para que a liberdade não se perca em novos ídolos.

Na tua Igreja, alimenta-nos na Eucaristia, reconcilia-nos na Penitência e firma-nos no Domingo, para que tua Palavra ilumine nossa consciência e teus sacramentos nos deem força para cumprir o bem com alegria cada dia. Quando cairmos, levanta-nos; quando temermos, sustenta-nos; quando vencermos, guarda-nos humildes. Por intercessão de Maria, faz-nos viver hoje a Aliança e chegar ao teu rosto. Amém.

Êxodo Capítulo 19

1. No terceiro mês após a saída dos filhos de Israel da terra do Egito, naquele mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai.2. Partindo de Rafidim, entraram no deserto do Sinai e acamparam ali; Israel acampou diante do monte.3. Moisés subiu até Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: “Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel:4. Vistes o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim.5. Agora, pois, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha;6. e vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel.

7. Veio Moisés, convocou os anciãos do povo e expôs diante deles todas estas palavras que o Senhor lhe ordenara.8. Todo o povo respondeu unanimemente: “Tudo o que o Senhor falou, faremos”. E Moisés levou ao Senhor as palavras do povo.

9. O Senhor disse a Moisés: “Eis que virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça quando eu falar contigo e também creia em ti para sempre”. E Moisés referiu ao Senhor as palavras do povo.10. Disse ainda o Senhor a Moisés: “Vai ao povo e santifica-os hoje e amanhã; lavem as suas vestes11. e estejam prontos para o terceiro dia, porque no terceiro dia o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre o monte Sinai.12. Marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos de subir ao monte ou de tocar na sua base; todo aquele que tocar no monte certamente morrerá.13. Nenhuma mão o tocará; será apedrejado ou traspassado; seja animal ou homem, não viverá. Ao soar prolongado da trombeta, então poderão subir ao monte”.

14. Moisés desceu do monte ao povo, santificou o povo, e eles lavaram as suas vestes.15. E disse ao povo: “Estai prontos para o terceiro dia; não vos chegueis a mulher”.

16. Ao terceiro dia, pela manhã, houve trovões e relâmpagos, e uma nuvem espessa sobre o monte, e um som fortíssimo de trombeta; todo o povo que estava no acampamento estremeceu.17. Moisés conduziu o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e puseram-se ao pé do monte.18. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subia como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia violentamente.19. O som da trombeta ia-se tornando cada vez mais forte; Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão.

20. O Senhor desceu sobre o monte Sinai, no cume do monte; o Senhor chamou Moisés ao cume do monte, e Moisés subiu.21. O Senhor disse a Moisés: “Desce e adverte o povo, para que não rompam os limites para ver o Senhor, e muitos deles pereçam.22. Também os sacerdotes, que se aproximam do Senhor, santifiquem-se, para que o Senhor não irrompa contra eles”.23. Moisés disse ao Senhor: “O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque tu mesmo nos advertiste, dizendo: Marca limites ao monte e consagra-o”.24. O Senhor respondeu: “Vai, desce; depois subirás tu e Aarão contigo; mas os sacerdotes e o povo não rompam os limites para subir ao Senhor, para que ele não irrompa contra eles”.25. Moisés desceu ao povo e lhes disse isso.

Êxodo Capítulo 20

1. Então Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo:2. “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

3. Não terás outros deuses diante de mim.4. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra.5. Não as adorarás nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam,6. e uso de misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

7. Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não deixará impune aquele que tomar o seu nome em vão.

8. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.9. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra;10. mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nele trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus portões.11. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou.

12. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá.

13. Não matarás.14. Não cometerás adultério.15. Não furtarás.16. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.17. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

18. Todo o povo via os trovões e os relâmpagos, o som da trombeta e o monte fumegando; vendo isso, o povo tremeu e ficou de longe.19. Disseram a Moisés: “Fala tu conosco, e ouviremos; mas não fale Deus conosco, para que não morramos”.20. Moisés respondeu ao povo: “Não temais; Deus veio para vos provar, para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis”.21. O povo ficou de longe, e Moisés aproximou-se da nuvem escura onde Deus estava.

22. O Senhor disse a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: Vistes que do céu vos falei.23. Não fareis deuses de prata para mim, nem fareis para vós deuses de ouro.24. Far-me-ás um altar de terra, e sobre ele oferecerás os teus holocaustos e os teus sacrifícios pacíficos, as tuas ovelhas e os teus bois; em todo lugar onde eu fizer lembrar o meu nome, virei a ti e te abençoarei.25. Se me fizeres um altar de pedras, não o edificarás de pedras lavradas; porque, se levantares o teu cinzel sobre ele, o profanarás.26. Não subirás por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não se descubra sobre ele”.

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